PF indicia o 'Rei do Lixo' e outros 24 por desvio de emendas
Investigação aponta fraudes de R$ 1,4 bilhão em licitações e envolve deputados federais.
A Polícia Federal indiciou 25 alvos da Operação Overclean, que investiga o desvio de emendas parlamentares e fraudes de R$ 1,4 bilhão em licitações, pelos crimes de corrupção , peculato , organização criminosa e lavagem de dinheiro . Entre os indiciados estão o empresário José Marcos de Moura , o "Rei do Lixo", e os ex-coordenadores estaduais do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) na Bahia Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho .
O Estadão busca contato com a defesa dos citados e pediu manifestação do Dnocs. O espaço está aberto.
As investigações envolvendo as emendas dos deputados federais Dal Barreto (União Brasil-BA), Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Vicentinho Júnior (PSDB-TO) ainda estão em andamento. Eles negam qualquer ilícito na destinação dos recursos.
Como mostrado no Estadão, a empresa MM Consultoria Construções e Serviços LTDA , do empresário José Marcos Moura, o “Rei do Lixo”, movimentou R$ 861.412.612,79 em operações estabelecidas como suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O empresário é apontado como "articulador político e operador de influência" do esquema de desvio de emendas investigado na Operação Overclean. Contratos com prefeituras na Bahia, no Tocantins, no Amapá, no Rio de Janeiro e em Goiás estão no radar da PF.
O “Rei do Lixo” chegou a ser preso na fase da investigação, mas conseguiu habeas corpus para aguardar a primeira conclusão do inquérito em liberdade. Ele foi alvo de buscas novamente na terceira fase da Operação Overclean. A PF chegou a pedir um novo mandado de prisão contra o empresário, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques , relator da investigação, negou.
A Polícia Federal afirma que o esquema envolve negociação de propina com servidores públicos. Os federais investigam agora se houve conluio com os deputados que indicaram as emendas. O inquérito foi encaminhado ao STF porque o deputado Elmar Nascimento , que tem foro privilegiado, foi citado. Ele nega irregularidades.
O inquérito teve início a partir de suspeitas envolvendo uma licitação de quase R$ 112 milhões para pavimentar avenidas e estradas urbanas e rurais em municípios da Bahia. O processo licitatório era de responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), autarquia federal vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.