CADEIRA DE FAMÍLIA

De suplente a senadora e de volta à suplência: Eudócia agora fica na reserva da própria nora

Atual senadora por Alagoas chegou ao Congresso como suplente de Rodrigo Cunha e agora aceita ser primeira suplente de Marina JHC, esposa de seu filho

Por Redação Tribuna do Sertão Publicado em 15/08/2026 às 20:02
Eudócia volta a se candidatar a suplente, desta feita da nora. Tudo em casa

A política alagoana produziu neste sábado (15) uma daquelas composições que dispensam qualquer esforço de imaginação.

A atual senadora Eudócia Caldas, que chegou ao Senado Federal como suplente, assumiu a cadeira e hoje representa Alagoas no Congresso Nacional, voltará a disputar uma eleição exatamente na posição de onde começou: a suplência.

Só que agora existe um ingrediente familiar.

Eudócia será a primeira suplente da própria nora, Marina Cândia, esposa de JHC.

A composição está oficialmente registrada na ata apresentada pelo PSDB/Cidadania neste sábado. Marina JHC aparece como candidata ao Senado e, imediatamente abaixo dela, está Eudócia Maria Holanda de Araújo Caldas como primeira suplente.

A relação familiar também é pública: Marina Cândia é esposa de JHC, enquanto Eudócia é mãe do ex-prefeito de Maceió.

Eudócia conhece bem a cadeira de suplente


Há uma ironia política adicional.

Eudócia não chegou ao Senado pelo voto direto para titular.

Na eleição de 2018, ela compôs como primeira suplente de Rodrigo Cunha. Depois que Cunha deixou o Senado para assumir a Vice-Prefeitura de Maceió, Eudócia herdou a cadeira.

O próprio Senado Federal registra atualmente Rodrigo Cunha como titular que renunciou e Eudócia como “primeira suplente em exercício”.

Em outubro de 2024, quando Rodrigo Cunha foi eleito vice-prefeito de Maceió, a Agência Senado já anunciava que sua primeira suplente, a médica Eudócia Caldas, assumiria o mandato.

De suplente, portanto, ela virou senadora.

Agora, na eleição seguinte, a senadora volta à suplência.

E desta vez não será de um aliado qualquer.

Será da mulher de seu filho.

A cadeira permanece em família


O arranjo também revela a estratégia política construída em torno da família Caldas.

JHC disputará o Governo de Alagoas.

Sua esposa, Marina JHC, disputará uma das duas vagas ao Senado.

Sua mãe, Eudócia Caldas, ocupará a primeira suplência da esposa.

A chapa cria, portanto, uma situação peculiar: caso Marina seja eleita e, durante o mandato, deixe definitivamente a cadeira, sua primeira substituta será a própria sogra.

A cadeira atualmente ocupada pela mãe passa a ser disputada pela nora, tendo a mãe como reserva.

É uma espécie de sucessão familiar com rede de proteção.

De senadora titular a plano B da nora


Há ainda uma questão de dimensão política.

Eudócia não está hoje afastada da política nem tentando retornar depois de anos fora do cenário. Ela é senadora em exercício, com gabinete no Senado, participação em comissões e mandato correspondente ao período de 2019 a 2027.

Mesmo assim, no desenho eleitoral definido por JHC e seus aliados, não recebeu uma candidatura própria ao Senado.

A candidata será Marina.

À atual senadora coube a primeira suplência.

É uma mudança de hierarquia difícil de ignorar: quem hoje ocupa a cadeira ficará na reserva de quem ainda tentará conquistá-la pela primeira vez.

E a escolhida para ocupar a posição superior na chapa é justamente sua nora.

Marina sobe; Eudócia desce um degrau


Até poucas semanas atrás, o próprio cenário eleitoral admitia Eudócia como um nome natural para buscar a continuidade no Senado.

A definição deste sábado, entretanto, estabeleceu outra ordem dentro do grupo.

Marina sobe para a cabeça da chapa.

Eudócia desce para a suplência.

A ata do PSDB/Cidadania não deixa margem para dúvida: Marina JHC é a candidata titular, e Eudócia Caldas é a primeira suplente.

O documento ainda registra Ronaldo Lessa como segundo suplente, completando uma composição bastante singular: uma candidata que nunca exerceu mandato eletivo terá atrás de si uma senadora da República e um ex-governador de Alagoas.

Marina, portanto, entra na eleição levando na reserva dois personagens com currículos políticos muito superiores ao seu próprio histórico eleitoral.

A família Caldas se protege dos dois lados


Se JHC vencer para governador e Marina conquistar uma vaga no Senado, a família terá presença simultânea no Palácio República dos Palmares e no Congresso Nacional.

Se Marina precisar deixar o Senado definitivamente, a primeira da fila será Eudócia.

É uma chapa que, independentemente da leitura que se faça sobre sua conveniência política, possui uma característica incontornável: o mandato pode mudar de nome, mas permanece dentro da família.

Eudócia começou como suplente, chegou a senadora e, oito anos depois da eleição que a colocou na reserva de Rodrigo Cunha, encerra o ciclo eleitoral aceitando novamente o mesmo papel.

Só mudou o titular.

Antes, Rodrigo Cunha.

Agora, a própria nora.