Uma chapa, três atas: PL confirma JHC, mas abre nova divergência sobre Senado e suplência de Marina
Documento do partido de Alfredo Gaspar acompanha Arthur Lira na ordem das vagas ao Senado, mas contraria PSDB e União Progressista ao deixar segunda suplência de Marina aberta a qualquer aliado
A chapa de JHC está politicamente montada, mas as três atas apresentadas neste sábado (15) pelas principais forças de sua coligação revelam que a mesma aliança chegou à Justiça Eleitoral com versões diferentes sobre pontos de sua composição.
Depois da Federação União Progressista registrar sua ata às 16h38 e o PSDB/Cidadania apresentar a sua às 17h27, o Partido Liberal protocolou às 17h37 a ata de sua 4ª Reunião Extraordinária.
E o documento do PL acrescentou uma terceira versão a pelo menos um dos pontos da chapa.
A maior divergência está na segunda suplência de Marina JHC ao Senado.
Na ata da União Progressista, a vaga pertence ao PDT.
Na ata do PSDB/Cidadania, ela já tem nome: Ronaldo Lessa.
Na ata do PL, porém, a segunda suplência poderá ser indicada por “qualquer outro partido coligado”.
São três documentos da mesma coligação tratando de maneira diferente uma mesma vaga.
PL concorda com Arthur Lira sobre quem ocupa a primeira vaga
Em outro ponto que já havia chamado atenção na comparação entre União Progressista e PSDB/Cidadania, o PL tomou posição semelhante à federação comandada por Arthur Lira.
A ata do Partido Liberal registra expressamente Arthur Lira como candidato à primeira vaga ao Senado. Seus suplentes serão Luiz Romero, indicado pelo próprio PL, e Gustavo Feijó, da União Progressista.
Em seguida, o documento define Marina JHC como candidata à segunda vaga, tendo Eudócia Caldas como primeira suplente.
É exatamente a estrutura adotada pela ata da União Progressista, que também coloca Arthur na primeira vaga e Marina na segunda.
A ata do PSDB/Cidadania, entretanto, faz o contrário.
No documento da federação presidida por JHC, Marina JHC aparece como candidata à primeira vaga, enquanto a segunda é reservada à União Progressista, que indicou Arthur Lira.
Portanto, nesse ponto, o placar documental é de dois a um: União Progressista e PL colocam Arthur primeiro e Marina em segundo; o PSDB/Cidadania coloca Marina primeiro e Arthur em segundo.
Embora os dois nomes sejam os mesmos e concorram simultaneamente às duas vagas de Alagoas ao Senado, a divergência existe formalmente nas atas da própria coligação.
A maior diferença está com Ronaldo Lessa
Mais significativa é a situação do segundo suplente de Marina.
A União Progressista foi objetiva ao registrar que a indicação caberia ao PDT.
A ata do PSDB/Cidadania avançou mais e apresentou o nome do ex-governador Ronaldo Lessa como segundo suplente de Marina JHC. Na parte destinada à relação dos candidatos, Ronaldo aparece nominalmente depois de Marina e Eudócia.
Só que a ata do PL, apresentada às 17h37 — portanto, depois da ata do PSDB/Cidadania — não reserva a vaga ao PDT nem menciona Ronaldo Lessa.
O texto diz expressamente:
“Restou ainda aprovado que a indicação ao cargo de segundo suplente caberá a qualquer outro partido coligado.”
É a divergência mais clara encontrada até agora nas três atas.
Se a composição final é Marina JHC, Eudócia Caldas e Ronaldo Lessa, União Progressista e PSDB/Cidadania caminham nessa direção. O PL, contudo, aprovou uma formulação mais ampla, que juridicamente deixa a vaga aberta aos demais integrantes da coligação.
PL também abriu mão da vice de JHC
A ata do PL conta ainda outra história política importante.
Nas deliberações anteriores do partido havia uma condição para participação na coligação: o PL teria a prerrogativa de indicar o candidato a vice-governador.
Essa exigência caiu.
A nova ata registra expressamente a revogação da condição, dizendo que fica sem efeito a decisão tomada na 2ª reunião extraordinária que atribuía ao PL o direito de indicar o vice como condição para a validade e eficácia da coligação.
Com isso, o partido de Alfredo Gaspar formalizou a aceitação de Célia Rocha, do PSDB/Cidadania, como vice de JHC.
O próprio documento confirma JHC para governador e Célia Rocha para vice.
Esse trecho revela que houve uma mudança concreta de posição do PL durante as articulações finais da chapa.
No restante, as três atas caminham juntas
Quanto à composição geral da coligação, não há diferença.
O PL relaciona PSDB/Cidadania, União Progressista, PL, PDT, Democracia Cristã, Federação Renovação Solidária, Podemos e Avante, exatamente os mesmos integrantes registrados pelas outras duas federações. Também confirma os nomes “Alagoas Gigante” para a disputa do Governo e “Alagoas Gigante II” para o Senado.
JHC e Célia Rocha também aparecem sem divergência nos três documentos.
Na divisão do horário eleitoral para o Senado há igualmente coincidência: 50% para Arthur Lira e 50% para Marina JHC.
Três atas e pelo menos três histórias
A leitura comparativa dos documentos apresentados neste sábado permite enxergar como a chapa foi construída nas últimas horas.
A União Progressista, primeira a registrar sua nova ata, às 16h38, colocou Arthur Lira na primeira vaga ao Senado, Marina JHC na segunda e reservou ao PDT a segunda suplência de Marina.
O PSDB/Cidadania, às 17h27, inverteu a ordem: colocou Marina na primeira vaga e Arthur na segunda e foi além, registrando Ronaldo Lessa como segundo suplente de Marina.
Dez minutos depois, às 17h37, o PL voltou à estrutura da União Progressista — Arthur primeiro e Marina em segundo —, mas não acompanhou nenhuma das duas integralmente sobre a suplência: determinou que ela poderia caber a qualquer partido da coligação. A ata foi registrada após reunião realizada entre 15h e 17h.
E o PL ainda deixou registrado outro capítulo dos bastidores: abriu mão formalmente da exigência de indicar o vice de JHC, condição que mantinha anteriormente, e aderiu à escolha de Célia Rocha.
No papel, portanto, a aliança é uma só. Os candidatos principais também são os mesmos. Mas as atas mostram que, até as últimas horas do prazo, cada partido ainda cuidava de preservar sua própria versão dos acordos construídos para fechar a chapa.