Nelsinho Trad acompanha decisões do governo sobre tarifas dos EUA
Senador destaca a importância de diálogo e a utilização adequada de instrumentos legais em resposta a sanções.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad (PSD-MS), divulgou nota oficial nesta sexta-feira (14) em que afirma estar atento à decisão do Poder Executivo de iniciar processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Na avaliação de Nelsinho, o Brasil precisa estar preparado para agir quando necessário, sem esquecer que as relações bilaterais têm mais de 200 anos e que todas as possibilidades de entendimento devem ser buscadas antes de uma escalada comercial.
"Sempre defendi que o primeiro caminho deve ser o diálogo. Ao mesmo tempo, não podemos abrir mão dos instrumentos legítimos que o próprio Congresso Nacional criou para proteger os interesses do Brasil quando necessário", diz ele.
O senador enfatizou que o processo pode levar meses e não significa a adoção automática de contramedidas pelo Brasil, mas inicia uma fase de avaliação e de consultas diplomáticas entre as nações. “Considero importante que esse espaço seja utilizado para buscar uma solução negociada, ao mesmo tempo em que o Brasil está disponível, com responsabilidade e critérios técnicos, os instrumentos que têm à disposição”, afirma na nota.
Nelsinho destaca a necessidade de promover o “diálogo até o limite”, mas com responsabilidade nas decisões para defender os interesses brasileiros.
Tarifas
As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras inauguraram uma nova etapa nas relações comerciais entre os dois países. A sobretaxa atingirá cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos assim que os produtos brasileiros entrarem nos EUA.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estima que a nova tarifa afetará 18% das exportações brasileiras para os EUA. Comparando com dados de 2024 — ano anterior às primeiras tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump —, esse percentual corresponde a R$ 37,6 bilhões. Já com base nos números de 2025, a participação dos setores impactados equivale a R$ 29,4 bilhões (15%).
No mês passado, o presidente da CRE solicitou informações ao MDIC sobre como o governo pretende operacionalizar a Lei da Reciprocidade Econômica (sancionada em 2025 após os primeiros tarifas), quais estudos estão sendo prolongados pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e se há necessidade de aprimoramentos legislativos. O objetivo, em segundo lugar, é oferecer ao CRE informações técnicas que subsidiem eventuais iniciativas legislativas.
Além disso, no dia 4 de agosto, o grupo de trabalho criado pela presidência da CRE debateu questões de acesso aos mercados das exportações brasileiras com representantes do governo e do setor privado, com foco nas proteínas de origem animal.
No dia em que a atual tarifaço entrou em vigor, em julho, o governo federal assinou uma medida provisória ( MP 1.379/2026 ) com um novo pacote de apoio às empresas brasileiras. Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores específicos estratégicos para a economia nacional.
A Presidência da República também sancionou o projeto derivado da MP 1.345/2026 , que institui as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. O Congresso decidiu ampliar o escopo para incluir, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.
Veja a nota do presidente da CRE na íntegra:
Nota à Imprensa
Receba com atenção a decisão do governo brasileiro de iniciar o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Sempre defendo que o primeiro caminho deve ser o diálogo. Ao mesmo tempo, não podemos abrir a mão dos instrumentos legítimos que o próprio Congresso Nacional criou para proteger os interesses do Brasil quando necessário.
Foi justamente por isso que, ainda em julho, encaminhei ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços um pedido de informações sobre a operacionalização da Lei da Reciprocidade, os estudos futuros pela Camex e até mesmo sobre a eventual necessidade de aperfeiçoamentos na legislação.
O processo iniciado agora não significa a adoção automática de contramedidas. Abre uma etapa de avaliação e consultas diplomáticas com os Estados Unidos. Considera-se importante que esse espaço seja utilizado para buscar uma solução negociada, ao mesmo tempo em que o Brasil está disponível, com responsabilidade e critérios técnicos, os instrumentos que têm à disposição.
Como presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, continuarei acompanhando esse processo e defendendo aquilo que temos sustentado desde o início: diálogo até o limite, responsabilidade nas decisões e defesa dos interesses brasileiros.
O Brasil precisa estar preparado para agir quando necessário, mas uma relação construída ao longo de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos exige que todas as possibilidades de entendimento sejam buscadas antes de uma escalada comercial.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)