POLÍTICA

Estados Unidos promete respeito à eleição brasileira se satisfeitas condições

Departamento de Estado afirma que respeitará resultado desde que eleições sejam 'livres e justas'.

Por Estadao Conteudo Publicado em 13/08/2026 às 21:09
Reprodução

Acusado de tentar uma interferência nas eleições presidenciais do Brasil pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, o Departamento de Estado dos Estados Unidos negou que tenha como objetivo interferir na disputa e indicou que vai respeitar o resultado das urnas, desde que o País promova uma disputa 'livre e justa'.

A declaração foi dada por autoridades do governo Donald Trump, com a condição de que não fosse identificada, em resposta a questionamentos de veículos de imprensa brasileiros sobre as recentes rusgas políticas com o País.

Segundo a autoridade do Departamento de Estado, haverá respeito à escolha feita pelos brasileiros por meio 'de eleições livres e justas no Brasil'. Essa autoridade lembrou que os EUA já manteve relações com 'governos de ambos os lados do espectro no Brasil' e que esses relacionamentos foram 'muito bem-sucedidos'.

Para integrantes do governo Lula, porém, a administração trumpista planejava justamente reunir elementos no País a fim de contestar a transparência e a segurança do sistema de urnas eletrônicas. Dois diplomatas tiveram visto negado pelo Itamaraty.

Na semana passada, o Palácio do Planalto reagiu dizendo que o cancelamento do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, era uma atitude de viés ideológico.

'Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente', afirmou a Presidência da República, em nota.

Em eventos públicos, o presidente brasileiro acusou o secretário de Estado, Marco Rubio, figura política de histórico hostil ao petista e próximo do bolsonarismo, de 'odiar o Brasil' e a América Latina. Lula chamou o chefe da diplomacia trumpista, filho de cubanos exilados, de 'latino-americano frustrado'.

E disse que se beneficiaria caso os EUA enviassem uma autoridade para subir no palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL), principal rival na disputa pela Presidência. Flávio voltou a levantar dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, sem que nenhuma fraude jamais tenha sido comprovada.

Depois, Lula afirmou que pretendia voltar a conversar por telefone com Trump, uma chamada que não ocorreu ainda.

Nesta quarta-feira, dia 12, o ex-ministro Celso Amorim, chefe da Assessoria Especial do Palácio do Planalto, afirmou que os EUA miravam contra a soberania brasileira, com o vídeo do Departamento de Estado que propaga o 'domínio americano' nas Américas, uma alusão à Doutrina Monroe.

O conselheiro petista também afirmou que a relação vive uma 'escalada de hostilidades' e que a administração Trump atua com 'opacidade total' em relação ao Brasil.