BANCO MASTER

Cumprimento de mandado da PF no Iprev amplia pressão por respostas sobre R$ 97 milhões aplicados no Banco Master

Vídeo de Wadson Correia destaca investigação conduzida pela Polícia Federal, sob supervisão do STF, e cobra esclarecimentos sobre autorização, fiscalização e critérios utilizados para aplicação dos recursos durante a gestão de JHC

Por Redação Publicado em 11/08/2026 às 16:13
O jornalista Wadson Correia

Uma reportagem do jornalista Wadson Correia, exibida no canal do YouTube e nas redes sociais, voltou a colocar no centro do debate a aplicação de aproximadamente R$ 97 milhões de recursos da Previdência dos servidores de Maceió em Letras Financeiras do Banco Master.

A reportagem foi produzida no contexto da atuação da Polícia Federal no Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) e detalha os questionamentos envolvendo a forma como os recursos previdenciários foram direcionados à instituição financeira.

Segundo o material apresentado, o primeiro aporte teria ocorrido em dezembro de 2023, no valor de R$ 80 milhões. Meses depois, outros R$ 17 milhões teriam sido investidos, elevando para aproximadamente R$ 97 milhões o montante destacado na reportagem.

O caso passou a integrar investigação da Polícia Federal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.

Conforme ressaltado na reportagem, a investigação apura, em tese, possíveis crimes relacionados a gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A existência da investigação, entretanto, não significa responsabilização antecipada das pessoas eventualmente citadas, sendo necessária a conclusão das apurações e o respeito ao devido processo legal.

A reportagem destaca ainda que foram autorizadas judicialmente medidas envolvendo sequestro, bloqueio e indisponibilidade de bens, direitos e valores relacionados aos fatos investigados.

Como o dinheiro chegou ao Master?


Um dos principais questionamentos levantados por Wadson Correia é sobre o processo decisório que levou recursos previdenciários dos servidores municipais a serem investidos no Banco Master.

“Como o dinheiro da Previdência foi parar no Banco Master? E quem participou dessa decisão?”, questiona a reportagem.

O vídeo chama atenção especialmente para os mecanismos internos de governança do Iprev, os controles existentes à época e os critérios empregados para avaliar a segurança e a adequação do investimento.

Segundo a reportagem, a investigação da Polícia Federal aponta possíveis problemas de governança e levanta questionamentos sobre a escolha da instituição financeira.

Outro ponto considerado relevante no vídeo diz respeito às condições existentes no momento do primeiro investimento. De acordo com o relato apresentado, quando ocorreu o aporte inicial de R$ 80 milhões, o Banco Master não estaria entre as instituições consideradas elegíveis pelo Ministério da Previdência para aquele tipo de operação.

Esse aspecto está entre os pontos que demandam esclarecimento no processo de investigação.

Aplicações ocorreram durante gestão de JHC


Os investimentos citados foram realizados durante a administração de JHC na Prefeitura de Maceió.

Na reportagem, Wadson Correia questiona a ausência de manifestações públicas mais detalhadas do ex-prefeito sobre o episódio e lista perguntas que, segundo ele, ainda precisam ser respondidas.

Entre elas estão: o que a administração municipal sabia sobre as aplicações; quais órgãos ou agentes fiscalizaram as operações; quem participou da autorização dos investimentos; quais controles foram adotados; e quais providências estão sendo tomadas para tentar assegurar a recuperação dos recursos.

A reportagem também sustenta que os valores aplicados ainda não retornaram à Previdência municipal, colocando a recuperação do dinheiro como uma das principais preocupações envolvendo o caso.

O episódio ganhou dimensão ainda maior diante do avanço das investigações relacionadas ao Banco Master e da necessidade de se esclarecer de que maneira recursos pertencentes a regimes previdenciários públicos foram direcionados à instituição financeira.

Governança e controle do dinheiro público


Na parte final, a reportagem deixa o campo estritamente informativo e apresenta uma reflexão sobre responsabilidade na administração pública.

“Corrupção não começa apenas quando alguém coloca o dinheiro no bolso. Pode começar quando regras são ignoradas, controles falham e ninguém pergunta o porquê”, afirma o jornalista no vídeo.

A manifestação relaciona o caso também ao debate eleitoral deste ano e à responsabilidade dos eleitores na escolha dos gestores públicos.

“O dinheiro é do cidadão e o voto é a primeira fiscalização”, conclui a reportagem.

A investigação deverá esclarecer se houve irregularidades nas operações, quais agentes participaram das decisões e se houve responsabilidade administrativa ou criminal.

Até que as apurações sejam concluídas, os fatos investigados permanecem sujeitos à análise da Polícia Federal, do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal, sem que a abertura da investigação, por si só, represente condenação dos envolvidos.