POLÍTICA

Câmara avança com processo contra deputada Erika Hilton

Representação do Partido Missão pede cassação da parlamentar por declarações em post nas redes sociais.

Por Câmara dos Deputados Publicado em 11/08/2026 às 15:26
Câmara aprova prosseguimento de processo contra a deputada Erika Hilton por quebra de decoro. Renato Araújo / Câmara dos Deputados

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (11), por 10 votos a 5, o sancionamento da Representação 26/08 , em que o Partido Missão acusou a deputada Erika Hilton (Psol-SP) de quebra de decoro. O partido pede a cassação do mandato da deputada.

A Missão questionou especificamente o seguinte trecho de um post de Erika Hilton na plataforma X em março deste ano, após ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher: "E não estou nem um pouco preocupado se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a coisa que me importa."

O partido entende também que, ao escrever no mesmo post: "Podem esperar. Podem latir", Erika Hilton ofendeu diretamente as mulheres cisgênero, cuja identidade corresponde ao sexo biológico, "rebaixando-as à condição de cadelas".

Parecer favorável
Autor do parecer preliminar aprovado, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) concluiu pela continuidade do processo.

“A imunidade parlamentar não excluiu a possibilidade de o próprio Parlamento reconhecer o excesso ou o abuso no emprego da palavra e aplicar a sanção que entende cabível”, disse o relator.

Defesa de Erika
Na defesa prévia apresentada ao conselho, Erika Hilton pediu o arquivamento do processo e acusou oposição de perseguição política. Segundo ela, a palavra "imbeCIS" se dirigia a pessoas transfóbicas, e não à coletividade das mulheres. Em relação a "podem latir", afirma que a frase se refere a seus opositores políticos.

A defesa também pediu a troca do relator, argumentando que Silva não estaria sendo imparcial por já ter assinado um projeto de resolução que reservava os cargos na Mesa da Comissão da Mulher apenas a deputadas do sexo feminino.

Presidente do Conselho de Ética, o deputado Fabio Schiochet (União-SC) negociou o pedido de troca de relator. Schiochet concluiu que a apresentação de projetos não pode ser confundida com pré-julgamento de conduta individual.

Durante a reunião, os deputados Chico Alencar (Psol-RJ), Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP) e Maria do Rosário (PT-RS) reforçaram, em defesa da deputada, que a fala jamais se referiu a mulheres cisgênero, e sim a grupos transfóbicos e racistas.

“Estamos aqui discutindo um tweet que foi descontextualizado, quando uma deputada, uma mulher negra, trans, foi legitimamente eleita para ser presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres e vai se defender de grupos de homens que eram transfóbicos, machistas, racistas, redpills ”, disse a deputada Professora Luciene Cavalcante.

Próximas etapas
Com o prosseguimento do processo, a deputada receberá uma cópia da representação e terá dez dias úteis para apresentar defesa escrita.

Ela poderá ainda indicar provas e apresentar até oito testemunhas.

Em seguida, o relator iniciará a fase de produção de provas e apresentará o parecer final.

O processo tem prazo de até 40 dias úteis.

O parecer final será discutido e votado nominalmente pelo Conselho de Ética.