Com PF no Iprev, Rui Palmeira questiona: “Quem está por trás disso?”
Vereador diz não acreditar que ex-presidente do instituto tenha agido sozinho, cobra explicações de JHC e menciona possível delação; Polícia Federal ainda não divulgou detalhes da diligência realizada em Maceió
A presença da Polícia Federal na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), nesta segunda-feira (10), levou o vereador e ex-prefeito de Maceió Rui Palmeira a elevar o tom das cobranças sobre as aplicações milionárias realizadas pelo instituto durante a gestão do ex-prefeito JHC.
Agentes federais estiveram no Iprev em uma diligência relacionada à investigação sobre a aplicação de aproximadamente R$ 117,9 milhões de recursos previdenciários em letras financeiras do Banco Master. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou oficialmente informações sobre eventual cumprimento de mandados, documentos recolhidos ou nomes de investigados.
Rui vinha cobrando publicamente, inclusive em entrevistas à Tribuna do Sertão, a ida da Polícia Federal a Maceió para aprofundar as investigações sobre os investimentos. Em maio, a PF já havia solicitado a abertura de uma investigação específica sobre o aporte realizado pelo Iprev no Banco Master, encaminhando o pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das apurações relacionadas ao caso.
Agora, diante da atuação dos investigadores na própria sede da autarquia, Rui quer saber se outras pessoas participaram das decisões que levaram à aplicação dos recursos.
“Essa investigação da Polícia Federal: quem está por trás disso? Porque eu não acredito que o ex-presidente do Iprev fez isso tudo sozinho. Isso é impossível. Quem está por trás dele?”, questionou o vereador.
Rui foi além e mencionou informações que, segundo ele, circulam sobre uma eventual colaboração do ex-presidente do instituto com as autoridades.
“Já se fala numa possível delação desse ex-presidente do Iprev, o que seria muito bom para a gente saber efetivamente quem está por trás disso”, afirmou.
Até o momento, não há confirmação pública da Polícia Federal ou de outra autoridade competente sobre a existência de acordo de colaboração ou delação envolvendo ex-dirigentes do Iprev.
Rui cobra JHC
O vereador também voltou suas críticas diretamente ao ex-prefeito JHC, em cuja administração foram realizadas as aplicações.
“Acho que é a hora do ex-prefeito JHC dizer alguma coisa e não se acovardar e fugir”, declarou.
Ao comentar os valores envolvidos, Rui falou em R$ 168 milhões. O montante citado pelo parlamentar engloba duas operações que vêm sendo questionadas por ele: aproximadamente R$ 117,9 milhões aplicados em letras financeiras do Banco Master e outros R$ 51,48 milhões investidos em cotas do fundo imobiliário Nest Eagle. Juntas, as aplicações chegam a cerca de R$ 168,5 milhões.
A investigação federal que motivou a diligência desta segunda-feira está relacionada diretamente ao investimento no Banco Master.
Rui classificou as operações como parte de um “esquema criminoso” e afirmou esperar que a investigação identifique quem participou das decisões.
“Está aí a Polícia Federal. Eu protocolei a denúncia em setembro do ano passado. Desde agosto que eu venho falando desse esquema do Banco Master. Quanto mais a gente investiga, vai descobrindo novos pontos obscuros”, afirmou.
O vereador disse confiar na capacidade técnica da PF para reconstruir o caminho das decisões tomadas dentro do instituto.
“Agora, claro, a Polícia Federal tem toda a condição, capacidade e qualidade técnica de realmente nos dizer o que se passou nos porões do Iprev Maceió e quem está por trás desse crime contra os aposentados de Maceió”, declarou.
“A gente aguardava há bastante tempo”
Questionado sobre a chegada da Polícia Federal ao instituto, Rui classificou a medida como positiva e lembrou que operações relacionadas a aplicações previdenciárias no Banco Master já haviam alcançado institutos de outros municípios.
“Muito positiva. A gente vinha aguardando há bastante tempo. Cidades bem menores já haviam recebido a visita da Polícia Federal”, disse.
A consultoria Crédito e Mercado, que assessorou o Iprev de Maceió, também apareceu nas apurações da Polícia Federal sobre investimentos de regimes próprios de previdência no Banco Master em outros municípios. Reportagem do Metrópoles mostrou que a consultoria participou de reuniões do Comitê de Investimentos do Iprev nas quais o Master foi apresentado como opção de investimento.
Rui também voltou a sustentar que existem problemas em atas utilizadas no processo de aprovação das aplicações.
“A gente apontou e denunciou, protocolei junto ao Ministério Público Estadual e à Polícia Federal uma denúncia robusta. A gente mostra, inclusive, atas do Conselho de Administração do Iprev que foram fraudadas. Isso aí é uma prova cabal”, declarou.
A afirmação sobre eventual fraude nas atas é uma acusação feita pelo vereador e integra os fatos que demandam apuração pelas autoridades. Em maio, informações sobre o pedido de investigação da PF já apontavam suspeitas de possíveis irregularidades no processo de autorização do investimento, inclusive envolvendo a decisão atribuída ao conselho do instituto.
“Agora a Polícia Federal vai poder revelar quem efetivamente está por trás disso”, concluiu Rui.
A diligência desta segunda-feira abre uma nova etapa de um caso que começou com questionamentos sobre a segurança dos investimentos e que agora passa diretamente pela atuação da Polícia Federal dentro do Iprev. A expectativa é que o avanço das investigações esclareça como foram tomadas as decisões, quem participou delas e se houve ou não irregularidades ou responsabilidades criminais.