MACEIÓ

Polícia Federal vai ao Iprev em meio a apurações sobre investimentos milionários realizados pelo Insituto durante o período da gestão de JHC

Publicado em 10/08/2026 às 09:03

Agentes da Polícia Federal foram na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) nesta segunda-feira (10), em meio às denúncias envolvendo aplicações de aproximadamente R$ 117 milhões no Banco Master realizadas durante a gestão do ex-prefeito JHC (PSDB). A PF não divulgou informações sobre o motivo da diligência nem confirmou eventual relação direta com os investimentos questionados.

As operações foram realizadas em dezembro de 2023, quando o Iprev aprovou a aplicação de R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master. Em maio de 2024, uma nova operação ampliou o investimento para cerca de R$ 117 milhões. Os títulos adquiridos não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O tema ganhou maior repercussão após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025. A autoridade monetária detectou crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e infrações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

SERVIDORES LEVARAM O CASO À PF


As aplicações foram denunciadas por entidades representativas dos servidores municipais. O documento lavrado pelo Sindprev, pelo Movimento Unificado dos Servidores de Maceió e pela CUT/AL também questiona outros R$ 51,5 milhões aplicados no fundo imobiliário Nest Eagle.

Outro ponto levantado envolve a consultoria Crédito e Mercado, responsável pela assessoria financeira do Iprev. A empresa já é alvo de investigações da Polícia Federal em casos relacionados a institutos previdenciários de municípios paulistas.

De acordo com registros do comitê de investimentos, o Banco Master foi apresentado em reunião realizada em novembro de 2023 como uma alternativa com potencial de maior retorno financeiro. Dois dias após o encontro, o aporte inicial de R$ 80 milhões foi aprovado.

O Iprev afirma que não houve irregularidades nas aplicações e sustenta que todas as operações observaram a legislação e as normas vigentes. O instituto também informa que os valores não configuram perda definitiva, mas crédito habilitado no processo de liquidação do Banco Master, e garante que o pagamento de aposentadorias e pensões segue assegurado.