Presente de Dia dos Pais? PL de Alfredo Gaspar e União Progressista de Arthur Lira deixam partido de João Caldas, o pai de JHC fora da aliança
Atas registradas há dois dias mostram contraste: PSDB incluiu a DC de João Caldas, mas documentos do PL e da federação comandada por Arthur Lira retiram a legenda da composição
As divergências entre as atas dos partidos que pretendem sustentar JHC na disputa pelo Governo de Alagoas atingem agora um personagem muito próximo ao próprio candidato: João Caldas, pai de JHC e presidente nacional do Democracia Cristã (DC).
Enquanto a ata da Federação PSDB Cidadania inclui expressamente a Democracia Cristã entre os integrantes da coligação majoritária, os documentos apresentados posteriormente pela Federação União Progressista, comandada em Alagoas por Arthur Lira, e pelo Partido Liberal simplesmente deixam o DC de fora da composição.
A diferença está registrada nos documentos encaminhados à Justiça Eleitoral.
Na ata do PSDB/Cidadania, aparecem como integrantes da aliança:
PSDB/Cidadania, PL, PDT, Federação União Progressista, Podemos, Federação Renovação Solidária, Democracia Cristã e Avante.
No documento da União Progressista, o arco da aliança é reduzido.
A federação de Arthur Lira relaciona União Progressista, Renovação Solidária, PL, PSDB/Cidadania, PDT e Podemos.
Democracia Cristã e Avante desaparecem.
Horas depois, o PL reduz ainda mais a composição.
Na ata transmitida às 23h58, aparecem União Progressista, Renovação Solidária, PL, PSDB/Cidadania e Podemos.
Além da DC e do Avante, o documento do PL exclui também o PDT de Ronaldo Lessa.
O partido do pai de JHC
A ausência da Democracia Cristã tem um peso político diferente das demais divergências.
João Caldas não é apenas um dirigente partidário alagoano.
O ex-deputado federal é atualmente presidente nacional da Democracia Cristã, enquanto Eudo Freire comanda a estrutura estadual da legenda em Alagoas. A própria direção nacional do partido registra João Caldas na presidência da sigla.
E a DC vinha caminhando justamente na direção de JHC.
Ainda em junho, integrantes do partido cobravam uma participação mais efetiva na construção da candidatura tucana e apresentavam a Democracia Cristã como uma das primeiras legendas a declarar apoio público ao projeto estadual de JHC.
Em julho, a informação disponível continuava sendo de que, em Alagoas, o DC apoiava a pré-candidatura de JHC ao Governo e a ata do DC aponta para isso.
Por isso, chama atenção que o partido comandado nacionalmente pelo pai do próprio candidato apareça na ata do PSDB, mas seja retirado justamente das composições apresentadas pela União Progressista e pelo PL.
João Caldas e Arthur estão em lados opostos
Há um contexto político importante por trás da ausência.
João Caldas já demonstrou resistência à presença de Arthur Lira no mesmo projeto eleitoral de JHC.
Em julho, a imprensa alagoana tratou abertamente da oposição do pai do tucano a uma dobradinha entre JHC e Arthur. O pano de fundo incluía inclusive uma disputa jurídica envolvendo legislação eleitoral que poderia afetar a candidatura de Álvaro Lira, filho de Arthur Lira, à Câmara dos Deputados.
Há também uma disputa envolvendo o próprio Democracia Cristã que chegou ao noticiário nacional. Em julho, a CNN Brasil noticiou uma controvérsia partidária envolvendo João Caldas e o deputado José Carlos Araújo, num episódio associado pela reportagem à disputa política com a família de Arthur Lira. João Caldas contestou a versão apresentada pelo parlamentar.
Ou seja, não se trata de dois grupos politicamente indiferentes um ao outro.
Existe um histórico recente de tensão.
Exclusão é documental; motivação é política
É necessário separar as duas coisas. As atas permitem afirmar categoricamente que: o PSDB incluiu a Democracia Cristã; a União Progressista não incluiu a DC; e o PL também não incluiu a DC.
O que os documentos não dizem é: “estamos retirando a Democracia Cristã porque não queremos João Caldas”.
Essa motivação não está escrita. Mas, diante do relacionamento político conhecido entre João Caldas e Arthur Lira, a ausência ganha uma leitura que dificilmente pode ser ignorada.
Especialmente porque não houve uma retirada genérica de aliados.
A União Progressista preservou o PDT naquele momento, por exemplo, mas excluiu DC e Avante.
O PL, posteriormente, fechou ainda mais o círculo e também retirou o PDT.
Quem decide quem entra na aliança de JHC?
A situação reforça a pergunta que já emerge das demais divergências entre as atas.
O PSDB, partido de JHC, desenhou uma coligação ampla.
Nela estavam Ronaldo Lessa e o PDT.
Estavam João Caldas e a Democracia Cristã.
Estava o Avante.
Mas as atas dos aliados começam a reduzir essa composição.
A União Progressista retira DC e Avante.
O PL retira DC, Avante e PDT.
Ao mesmo tempo, União Progressista e PL também contrariam o PSDB em outro ponto fundamental: enquanto a ata tucana reserva à federação os candidatos a governador e vice, os dois aliados determinam que JHC será o governador e o PL indicará o vice.
O problema, portanto, começa a assumir outra dimensão.
Não é apenas quem será o vice de JHC.
É também: quem JHC poderá levar para a sua própria coligação?
No desenho do PSDB, o pai do candidato e seu partido estão dentro.
No desenho de Arthur Lira e do PL, João Caldas e a Democracia Cristã estão fora.
Agora caberá a JHC dizer qual dessas alianças efetivamente pretende registrar.