AINDA SOBRE AS ATAS

Presente de Dia dos Pais? PL de Alfredo Gaspar e União Progressista de Arthur Lira deixam partido de João Caldas, o pai de JHC fora da aliança

Atas registradas há dois dias mostram contraste: PSDB incluiu a DC de João Caldas, mas documentos do PL e da federação comandada por Arthur Lira retiram a legenda da composição

Por Redação Publicado em 08/08/2026 às 16:36
João Caldas, Arthur Lira e liderança da Democracia Cristã estão no centro do novo impasse: atas do PL e da União Progressista deixaram a DC fora da aliança desenhada para JHC.

As divergências entre as atas dos partidos que pretendem sustentar JHC na disputa pelo Governo de Alagoas atingem agora um personagem muito próximo ao próprio candidato: João Caldas, pai de JHC e presidente nacional do Democracia Cristã (DC).

Enquanto a ata da Federação PSDB Cidadania inclui expressamente a Democracia Cristã entre os integrantes da coligação majoritária, os documentos apresentados posteriormente pela Federação União Progressista, comandada em Alagoas por Arthur Lira, e pelo Partido Liberal simplesmente deixam o DC de fora da composição.

A diferença está registrada nos documentos encaminhados à Justiça Eleitoral.

Na ata do PSDB/Cidadania, aparecem como integrantes da aliança:

PSDB/Cidadania, PL, PDT, Federação União Progressista, Podemos, Federação Renovação Solidária, Democracia Cristã e Avante.

No documento da União Progressista, o arco da aliança é reduzido.

A federação de Arthur Lira relaciona União Progressista, Renovação Solidária, PL, PSDB/Cidadania, PDT e Podemos.

Democracia Cristã e Avante desaparecem.

Horas depois, o PL reduz ainda mais a composição.

Na ata transmitida às 23h58, aparecem União Progressista, Renovação Solidária, PL, PSDB/Cidadania e Podemos.

Além da DC e do Avante, o documento do PL exclui também o PDT de Ronaldo Lessa.

O partido do pai de JHC


A ausência da Democracia Cristã tem um peso político diferente das demais divergências.

João Caldas não é apenas um dirigente partidário alagoano.

O ex-deputado federal é atualmente presidente nacional da Democracia Cristã, enquanto Eudo Freire comanda a estrutura estadual da legenda em Alagoas. A própria direção nacional do partido registra João Caldas na presidência da sigla.

E a DC vinha caminhando justamente na direção de JHC.

Ainda em junho, integrantes do partido cobravam uma participação mais efetiva na construção da candidatura tucana e apresentavam a Democracia Cristã como uma das primeiras legendas a declarar apoio público ao projeto estadual de JHC.

Em julho, a informação disponível continuava sendo de que, em Alagoas, o DC apoiava a pré-candidatura de JHC ao Governo e a ata do DC aponta para isso.

Por isso, chama atenção que o partido comandado nacionalmente pelo pai do próprio candidato apareça na ata do PSDB, mas seja retirado justamente das composições apresentadas pela União Progressista e pelo PL.

João Caldas e Arthur estão em lados opostos


Há um contexto político importante por trás da ausência.

João Caldas já demonstrou resistência à presença de Arthur Lira no mesmo projeto eleitoral de JHC.

Em julho, a imprensa alagoana tratou abertamente da oposição do pai do tucano a uma dobradinha entre JHC e Arthur. O pano de fundo incluía inclusive uma disputa jurídica envolvendo legislação eleitoral que poderia afetar a candidatura de Álvaro Lira, filho de Arthur Lira, à Câmara dos Deputados.

Há também uma disputa envolvendo o próprio Democracia Cristã que chegou ao noticiário nacional. Em julho, a CNN Brasil noticiou uma controvérsia partidária envolvendo João Caldas e o deputado José Carlos Araújo, num episódio associado pela reportagem à disputa política com a família de Arthur Lira. João Caldas contestou a versão apresentada pelo parlamentar.

Ou seja, não se trata de dois grupos politicamente indiferentes um ao outro.

Existe um histórico recente de tensão.

Exclusão é documental; motivação é política


É necessário separar as duas coisas. As atas permitem afirmar categoricamente que: o PSDB incluiu a Democracia Cristã; a União Progressista não incluiu a DC; e o PL também não incluiu a DC.

O que os documentos não dizem é: “estamos retirando a Democracia Cristã porque não queremos João Caldas”.

Essa motivação não está escrita. Mas, diante do relacionamento político conhecido entre João Caldas e Arthur Lira, a ausência ganha uma leitura que dificilmente pode ser ignorada.

Especialmente porque não houve uma retirada genérica de aliados.

A União Progressista preservou o PDT naquele momento, por exemplo, mas excluiu DC e Avante.

O PL, posteriormente, fechou ainda mais o círculo e também retirou o PDT.

Quem decide quem entra na aliança de JHC?


A situação reforça a pergunta que já emerge das demais divergências entre as atas.

O PSDB, partido de JHC, desenhou uma coligação ampla.

Nela estavam Ronaldo Lessa e o PDT.

Estavam João Caldas e a Democracia Cristã.

Estava o Avante.

Mas as atas dos aliados começam a reduzir essa composição.

A União Progressista retira DC e Avante.

O PL retira DC, Avante e PDT.

Ao mesmo tempo, União Progressista e PL também contrariam o PSDB em outro ponto fundamental: enquanto a ata tucana reserva à federação os candidatos a governador e vice, os dois aliados determinam que JHC será o governador e o PL indicará o vice.

O problema, portanto, começa a assumir outra dimensão.

Não é apenas quem será o vice de JHC.

É também: quem JHC poderá levar para a sua própria coligação?

No desenho do PSDB, o pai do candidato e seu partido estão dentro.

No desenho de Arthur Lira e do PL, João Caldas e a Democracia Cristã estão fora.

Agora caberá a JHC dizer qual dessas alianças efetivamente pretende registrar.