POLÍTICA

Lula anuncia menor desmatamento da década na Amazônia

Dados foram apresentados pelo presidente durante discurso a apoiadores em Taboão da Serra.

Por Estadao Conteudo Publicado em 08/08/2026 às 12:51
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que enviará ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os dados referentes ao menor desmatamento da década na Amazônia. "Eu quero preparar os números e mandar para o meu amigo Trump, para ele saber que quem informou ele não informou sobre a verdade.

Lula discursou na manhã de sábado, 8, para seus apoiadores, que estavam tradicionalmente vestidos de vermelho, agitavam bandeiras de partidos de esquerda e de entidades sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). No mês passado, os EUA anunciaram a imposição de uma nova tarifa de 25% ao Brasil, citando, entre outros fatores, a falha no combate ao desmatamento.

Conforme os dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na última sexta-feira, 7, o Brasil registrou, entre agosto de 2025 e julho de 2026, a menor área sob alerta de desmatamento na Amazônia nos últimos dez anos, desde que a série histórica foi iniciada, em 2016.

Lula também elogiou o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pela aprovação da reforma tributária, que entrará em vigor em 2027. O presidente acredita que a reforma "certamente vai beneficiar muito o Brasil, o povo brasileiro, as empresas e o comércio, porque é uma reforma tributária justa".

Além disso, o presidente destacou que Haddad é responsável pelo projeto que exclui do imposto de renda pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês. "É um acerto da nossa política econômica", afirmou.

Lula mencionou que a "economia está dando certo" e apresentou indicadores que, segundo ele, confirmam a melhora do cenário econômico: "Temos a menor inflação acumulada em quatro anos, o menor desemprego da história, o maior crescimento da massa salarial da história", destacou.

O presidente ressaltou que "o Brasil não crescia acima de 3% desde que eu deixei a presidência da República em 2010" e afirmou que "não é possível um país dar certo" se o dinheiro estiver concentrado nas mãos de poucos.

Reforma Casa Brasil

Lula também afirmou que se reuniu com os presidentes da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil para entender por que o programa Reforma Casa Brasil, que oferece linhas de crédito para melhorias habitacionais, "não anda". "Eu quero entender porque que a gente faz o programa e esse programa não anda", declarou.

O programa é gerido pela Caixa e disponibilizou R$ 40 bilhões para crédito, sendo R$ 30 bilhões provenientes do Fundo Social do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Segundo o presidente, o programa enfrenta dificuldades devido a "muitas exigências".

"Às vezes a pessoa tem um terreno que não está legalizado, a prefeitura não fez a documentação e ele deseja fazer a reforma da casa, tem como pagar, mas não consegue, porque há uma burocracia que não deixa", enfatizou Lula. Para ele, "a lerdeza da máquina burocrática não é o tempo de quem precisa das coisas".

O presidente reiterou a previsão de construir 3 milhões de casas pelo MCMV até dezembro. "E vamos precisar fazer mais. Vamos continuar entregando a chave da casa para as mulheres e ajudando as pessoas que ganham menos, porque casa é um direito constitucional", acrescentou.

O evento comemorou os 30 anos do movimento social e ocorreu na Arena Multiúso de Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Nas proximidades, moradores assistiam do lado de fora, enquanto uma playlist com samba, pagode e MPB animava o público. A abertura foi marcada pela apresentação do clássico "Vermelho", do compositor Chico da Silva, na voz de Fafá de Belém ("meu coração é vermelho").