ELEIÇÕES 2026

Três atas, três desenhos: documentos expõem falta de acordo na chapa de JHC

PSDB reserva para si Governo e vice; União Progressista e PL entregam vice aos liberais, enquanto documentos também divergem sobre Senado e até sobre os partidos integrantes da coligação

Por Redação Publicado em 08/08/2026 às 08:31
Três líderes partidários com três atas diferentes: João, Arthur e Alfredo. Unidos? o tempo dirá

A coligação que pretende sustentar a candidatura de JHC ao Governo de Alagoas ainda não aparece com o mesmo desenho nos documentos apresentados à Justiça Eleitoral.

Uma comparação entre as atas da Federação PSDB Cidadania, da Federação União Progressista e do Partido Liberal revela divergências importantes sobre quem indicará o candidato a vice-governador, quem ocupará as vagas ao Senado e até quais partidos integram a aliança.

Os documentos foram transmitidos à Justiça Eleitoral em horários diferentes no dia 6 de agosto. A ata da União Progressista foi enviada às 18h27; a do PSDB/Cidadania, às 23h26; e a do PL, às 23h58.

elas não dizem exatamente a mesma coisa. A divergência mais evidente está na vice-governadoria.

PSDB DIZ QUE TERÁ GOVERNADOR E VICE


A ata da Federação PSDB Cidadania, à qual JHC é filiado, registra que a federação terá candidatos aos cargos de governador e vice-governador.

Os nomes não foram definidos na convenção. A decisão foi delegada à Comissão Executiva da federação, presidida por JHC, para ser tomada até o prazo final dos registros.

O documento estabelece: “a Federação PSDB/CIDADANIA terá candidatos aos cargos de Governador e Vice-governador”.

A Executiva recebeu ainda amplos poderes para indicar ou substituir nomes e até autorizar que candidatos majoritários sejam indicados por outras legendas aliadas.

Ou seja: a posição inicial registrada pela convenção tucana é de que tanto a cabeça quanto a vice pertencem à Federação PSDB Cidadania.

UNIÃO PROGRESSISTA ENTREGA VICE AO PL


A ata da Federação União Progressista, comandada em Alagoas por Arthur Lira, apresenta outro desenho.

O documento determina que o candidato a governador será indicado pela Federação PSDB Cidadania, mas estabelece uma condição expressa: o nome deverá ser exclusivamente o de JHC.

Em seguida, define que o candidato a vice-governador será indicado pelo Partido Liberal.

Portanto, enquanto a ata do PSDB reserva governador e vice para sua própria federação, a União Progressista entrega a vice ao PL.

PL ENDURECE A CONDIÇÃO


A última das três atas foi transmitida pelo próprio PL às 23h58.

O partido repete a exigência de que JHC seja o candidato ao Governo e também determina que a vice seja indicada pelo PL.

Mas utiliza uma formulação ainda mais incisiva: a indicação da vice pelo Partido Liberal é tratada como “condição de validade e eficácia” da coligação majoritária.

Assim, neste ponto, União Progressista e PL coincidem entre si e divergem do desenho original aprovado pelo PSDB.

O PSDB diz: governador e vice serão da federação.

União Progressista e PL respondem: JHC será o governador, mas quem indicará o vice será o PL.

SENADO TAMBÉM TEM VERSÕES DIFERENTES


As divergências não param na vice-governadoria.

A ata do PSDB afirma que a indicação da primeira candidatura ao Senado e dos respectivos suplentes será feita por sua própria Comissão Executiva.

Para a segunda vaga, permite a indicação por qualquer partido coligado, desde que o nome seja posteriormente ratificado pela Executiva tucana.

A União Progressista apresenta cenário completamente diferente.

Arthur Lira aparece como candidato já definido à primeira vaga ao Senado. Luiz Romero, indicado pelo PL, é colocado como primeiro suplente, enquanto Célia Rocha é indicada para a segunda suplência.

Para a segunda cadeira no Senado, a União Progressista determina que o nome seja do PSDB/Cidadania e exclusivamente de um filiado da federação.

Já o PL mantém Arthur Lira na primeira vaga e Luiz Romero e Célia Rocha nas suplências, mas volta a modificar o desenho da segunda candidatura.

Na ata das 23h58, a segunda vaga ao Senado poderá ser indicada pelo próprio PL ou por outro partido integrante da coligação.

Ou seja, nem União Progressista e PL, que coincidem sobre a vice, apresentam exatamente a mesma solução para o segundo candidato ao Senado.

PDT ENTRA EM DUAS ATAS E DESAPARECE NA TERCEIRA


Também não há coincidência sobre a composição da coligação.

A ata do PSDB/Cidadania apresenta a aliança mais ampla. Relaciona: Federação PSDB Cidadania; PL; PDT; Federação União Progressista; Podemos; Federação Renovação Solidária; Democracia Cristã; Avante.

A União Progressista reduz esse arco, mas mantém o PDT de Ronaldo Lessa. Sua ata reúne União Progressista, Renovação Solidária, PL, PSDB/Cidadania, PDT e Podemos.

Na ata do PL das 23h58, entretanto, aparecem somente União Progressista, Renovação Solidária, PL, PSDB/Cidadania e Podemos.

O PDT desaparece. Também não constam DC e Avante.

O problema ganha dimensão política porque Ronaldo Lessa foi indicado pelo próprio PDT para a vice-governadoria e vinha se apresentando publicamente como companheiro de chapa de JHC.

QUAL ATA PREVALECERÁ NO ACORDO POLÍTICO?


As divergências não significam que a coligação esteja juridicamente inviabilizada.

As próprias atas delegaram às respectivas Executivas poderes para negociar, incluir e excluir partidos, substituir candidatos e realizar ajustes antes da formalização definitiva dos registros.

O que os documentos mostram, entretanto, é que a chapa ainda não está politicamente amarrada em todos os seus pontos.

Há diferenças sobre: quem indica o vice; quem controla as vagas ao Senado; quem define os suplentes; quem ocupa a segunda candidatura ao Senado; e quais partidos efetivamente integram a coligação.

Mais do que uma divergência burocrática, as atas registram posições políticas distintas dos grupos que tentam construir a candidatura de JHC.

Até que essas diferenças sejam resolvidas e traduzidas em um único desenho perante a Justiça Eleitoral, a pergunta permanece: qual dessas três chapas será, afinal, a chapa de JHC?