ELEIÇÕES 2026 | IMPASSE NA MAJORITÁRIA

Vice de JHC vira nó triplo: Lessa se disse candidato, Célia rejeita suplência e quer o posto, mas PL exige indicação

Ex-prefeita de Arapiraca diz que não aceita ser segunda suplente de Arthur Lira e que só disputa eleição se for vice; cargo já é reivindicado por Ronaldo Lessa e ata das 23h58 reserva ao PL o poder de indicar o nome

Por Redação Publicado em 08/08/2026 às 08:18
Célia Rocha recusa a suplência de Arthur Lira e para participar da eleição diretamente, só se for candidata a vice

Se a definição do candidato a vice-governador de JHC já estava confusa na quinta-feira (6), nesta sexta-feira (7) o problema ganhou mais um personagem e se transformou num verdadeiro nó político dentro da aliança.

Agora são três movimentos convergindo sobre uma única vaga.

Ronaldo Lessa afirma que é candidato a vice e foi formalmente indicado pelo PDT.

Célia Rocha rejeitou a segunda suplência de Arthur Lira e avisou que, se participar da chapa, quer ser candidata a vice-governadora.

E o Partido Liberal registrou às 23h58 uma ata estabelecendo que é o PL quem terá o poder de indicar o companheiro de chapa de JHC.
A disputa está formada.

CÉLIA DIZ NÃO À SUPLÊNCIA


A novidade de ontem, sexta-feira, veio de Arapiraca.

A ex-prefeita Célia Rocha, atualmente filiada ao PSDB, agradeceu a Arthur Lira pela indicação de seu nome para ocupar a segunda suplência na disputa pelo Senado, mas deixou claro que não pretende aceitar o posto.

Em entrevista publicada por um site local, Célia estabeleceu suas opções: ou integra a majoritária como candidata a vice-governadora ou participa da campanha apenas como apoiadora.

“Ou serei vice ou fico como entusiasta e grande apoiadora”, afirmou.

A declaração desmonta, pelo menos politicamente, outra parte da ata apresentada pelo PL.

O documento das 23h58 estabelece que Arthur Lira será candidato a uma das vagas ao Senado, tendo Luiz Romero Cavalcante Farias como primeiro suplente. Para a segunda suplência, a ata reserva a indicação à Federação PSDB Cidadania e condiciona a escolha justamente a Célia Rocha.

Célia, entretanto, não quer a vaga. A ex-prefeita agradeceu a lembrança, mas deixou público que seu objetivo, caso ocupe algum posto na chapa majoritária, é outro: a vice de JHC. Ela registrou ainda que sem a vice, Célia pretende permanecer apenas como apoiadora do projeto político.

CÉLIA É DO PSDB


O movimento produz uma situação particularmente curiosa.

Célia Rocha é filiada ao PSDB, portanto integra o campo partidário da Federação PSDB Cidadania, justamente a federação à qual pertence JHC.

Mas a ata do PL determina que a indicação para vice-governador será feita pelo Partido Liberal.

É importante observar uma nuance: o documento não diz que o escolhido necessariamente terá de ser filiado ao PL. O que ele estabelece expressamente é que o cargo será “indicado pelo Partido Liberal”.

Assim, a declaração de Célia não pode ser lida, neste momento, como incompatível de forma automática com a ata. Mas ela coloca mais pressão na negociação.
Para que sua pretensão avance dentro do desenho estabelecido pelo documento do PL, a reivindicação terá de passar justamente pela mesa em que o Partido Liberal exige ter a palavra sobre a escolha do vice.

E Célia não surgiu agora como possibilidade para o cargo.

Desde maio e junho, seu nome circula nos bastidores como alternativa para compor a chapa com JHC, especialmente dentro das articulações envolvendo Arthur Lira, o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, e lideranças políticas do Agreste.

RONALDO LESSA TAMBÉM NÃO ABRIU MÃO


Do outro lado está Ronaldo Lessa.

Na manhã de quinta-feira, poucas horas antes das sucessivas atas que alteraram o cenário da aliança, o atual vice-governador voltou a se apresentar publicamente como candidato a vice na chapa de JHC, conforme vídeo em poder da Tribuna.

Lessa estava amparado por uma decisão formal de seu próprio partido.

A Convenção Estadual do PDT aprovou seu nome para a vice e a ata transmitida à Justiça Eleitoral às 11h40 registrou que a legenda havia recebido proposta de coligação com JHC para governador e com o PDT responsável pela indicação do vice.

O nome escolhido foi Ronaldo Lessa.

Poucas horas depois, porém, outra ata trouxe uma composição diferente.

A Federação União Progressista transmitiu documento às 18h27 reservando ao PL a indicação do vice - embora, naquele momento, ainda mantivesse o PDT entre os integrantes da coligação.

E às 23h58 veio o documento do próprio Partido Liberal.

Foi ainda mais incisivo.

PL EXIGE A INDICAÇÃO


A Executiva Estadual do PL estabeleceu duas condições centrais.

A primeira é que o candidato ao Governo seja exclusivamente JHC.

A segunda é que o cargo de vice-governador seja indicado pelo Partido Liberal.

A ata qualifica essa última definição como “condição de validade e eficácia” da coligação majoritária.

Ao mesmo tempo, o documento relaciona os partidos que deverão integrar a aliança: Federação União Progressista, Federação Renovação Solidária, PL, Federação PSDB Cidadania e Podemos.

O PDT de Ronaldo Lessa não consta dessa relação.

Tem-se, portanto, um quadro inusitado.

Ronaldo Lessa foi indicado pelo PDT e diz ser o vice.

Célia Rocha, do PSDB, rejeita a suplência e avisa que só aceita participar da chapa se for vice.

E o PL afirma documentalmente que a indicação da vice lhe pertence.

UMA CADEIRA, TRÊS MOVIMENTOS


A vice de JHC tornou-se, assim, um dos maiores pontos de tensão da composição oposicionista em Alagoas.

Ronaldo Lessa chegou primeiro ao posto.

Depois de romper com o grupo político do governador Paulo Dantas e se reaproximar de JHC, passou a construir publicamente a permanência na vice em uma nova chapa.

Seu partido chegou à convenção e homologou essa escolha.

Célia Rocha, por sua vez, tem peso político em Arapiraca e no Agreste e vinha sendo citada há meses como alternativa para a mesma vaga.

Agora decidiu tornar pública sua posição: segunda suplência do Senado, não. Vice-governadora, sim.

Por cima dessas duas movimentações aparece o PL, parceiro considerado fundamental na montagem da chapa após a escolha de Alfredo Gaspar para concorrer à vice-presidência da República.

O partido abriu mão de ter Alfredo concorrendo ao Senado em Alagoas, mas reservou espaços importantes no novo desenho.

Além de indicar Luiz Romero para a primeira suplência de Arthur Lira, o PL deixou aberta a possibilidade de participar da definição da segunda candidatura ao Senado e, principalmente, exigiu a indicação do vice de JHC.

CÉLIA AINDA CRIA OUTRO PROBLEMA NA ATA


A recusa de Célia produz um efeito adicional.

A ata não diz genericamente que a segunda suplência de Arthur Lira pertence à Federação PSDB Cidadania.

Ela condiciona a escolha a um nome específico: Célia Maria Barbosa Rocha.

Se Célia mantiver a decisão anunciada nesta sexta-feira de não aceitar a suplência, essa parte da composição também terá de ser revista.

Assim, a mesma ata que tentou organizar a majoritária abriu, menos de 24 horas depois, pelo menos duas frentes de negociação:

quem será o vice de JHC?

E quem ocupará a segunda suplência de Arthur Lira se Célia Rocha mantiver a recusa?

O documento admite mudanças posteriores. A Executiva do PL manteve poderes para fazer alterações, substituições e preencher vagas remanescentes.

Há, portanto, espaço para solução política.

O que não há mais é espaço para dizer que a chapa está definida.

O cenário desta sexta-feira é exatamente o oposto.

Ronaldo Lessa não abriu mão.

Célia Rocha acaba de dizer que só quer a vice.

E o PL registrou que a indicação da vice é sua.

JHC tem uma chapa para montar.

E, neste momento, parece ter candidatos e partidos demais disputando uma única cadeira.