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Imprensa viu a vice, mas comeu mosca: ata das 23h58 deixa PDT de Lessa fora da aliança de JHC

Documento do próprio PL, transmitido no fim da noite, mantém exigência pela vice de JHC, mas traz uma mudança que passou sem o devido destaque: o PDT de Ronaldo Lessa, presente em ata anterior da coligação, desaparece da relação dos partidos aliados

Por Redação Publicado em 08/08/2026 às 08:07
JHC silencia diante da investida de aliados em sua chapa; Lessa está rifado pelo PL da majoritária

A imprensa alagoana percebeu que havia uma guerra pela vice de JHC. O que passou praticamente sem o devido destaque foi um movimento ocorrido no apagar das luzes da quinta-feira (6): às 23h58, o Partido Liberal transmitiu à Justiça Eleitoral uma nova ata na qual manteve para si a indicação do candidato a vice-governador e, ao relacionar os partidos da pretendida coligação, deixou de fora o PDT de Ronaldo Lessa.

O horário está registrado no próprio documento: a 2ª Reunião Extraordinária da Comissão Executiva Estadual do PL de Alagoas começou às 21h, terminou às 23h e a ata foi enviada ao sistema eleitoral às 23h58.

A novidade ganha ainda mais importância quando o documento é comparado com o que havia sido tornado público poucas horas antes.

Às 18h27, uma ata da Federação União Progressista já havia estabelecido que o candidato a vice-governador de JHC seria indicado pelo PL. Essa informação chegou ao noticiário ainda na noite de quinta-feira. O Extra, por exemplo, publicou às 19h54 que a vice caberia ao Partido Liberal. Mas aquela composição incluía expressamente o PDT entre os integrantes da coligação.

A própria Tribuna mostrou ainda na quinta-feira o conflito entre documentos: de um lado, a ata do PDT indicando Ronaldo Lessa para vice; de outro, a ata posterior da União Progressista reservando o mesmo cargo ao PL. Naquele momento, porém, o PDT continuava formalmente relacionado entre os partidos da aliança.
Foi depois disso que surgiu a ata das 23h58.

E é nela que está o fato novo.

Na composição aprovada pela Executiva Estadual do PL aparecem a Federação União Progressista, a Federação Renovação Solidária, o Partido Liberal, a Federação PSDB Cidadania e o Podemos.

O PDT desapareceu da relação.

Não significa, por si só, que esteja juridicamente encerrada qualquer possibilidade de participação posterior do PDT — até porque as próprias atas preservam poderes para ajustes na composição antes da conclusão dos registros. Mas significa que, na manifestação formal mais tardia do próprio PL, o partido de Ronaldo Lessa não integra o desenho aprovado pela legenda.

E o documento não se limita a isso.

JHC OU NÃO HÁ ADESÃO


O PL estabeleceu uma condição expressa para aderir à coligação ao Governo de Alagoas: o candidato tem de ser JHC.

A ata determina que a candidatura a governador será indicada pela Federação PSDB Cidadania, mas registra que a concordância do Partido Liberal fica condicionada exclusivamente a João Henrique Holanda Caldas.

O texto ressalta que a aprovação não se estende a qualquer outro nome e estabelece consequências caso a condição não seja implementada.

Em linguagem política, a posição é simples: o PL aceita integrar a aliança se JHC estiver na cabeça da chapa.

Mas há uma segunda condição.

VICE SERÁ INDICADO PELO PL


Depois de amarrar sua adesão ao nome de JHC, a Executiva do PL estabelece expressamente que o cargo de vice-governador será indicado pelo próprio Partido Liberal.
A redação não apresenta a vice como uma preferência ou mera reivindicação. A ata afirma que essa definição constitui “condição de validade e eficácia” da coligação majoritária.

Portanto, o desenho aprovado pelo PL é objetivo:

JHC para governador.

Vice indicado pelo PL.

E, na ata das 23h58, sem o PDT na relação dos integrantes da coligação.

É justamente aí que a situação de Ronaldo Lessa se complica.

RONALDO LESSA SE APRESENTAVA COMO VICE HORAS ANTES


Na manhã da mesma quinta-feira, em vídeo em poder da Tribuna, Ronaldo Lessa voltou a se apresentar como candidato a vice-governador na chapa de JHC.

A manifestação ocorreu pela manhã, por volta das 9h/10h.

Lessa tinha motivos para sustentar essa posição. A Convenção Estadual do PDT havia aprovado sua participação como vice e a respectiva ata, transmitida às 11h40 da quinta-feira, registrava que caberia ao partido indicar o companheiro de chapa de JHC. O escolhido foi o próprio Ronaldo Lessa.

A cronologia do dia, portanto, é reveladora.

Pela manhã, Ronaldo Lessa se apresentava como candidato a vice.

Às 11h40, estava no sistema a ata do PDT indicando Lessa.

Às 18h27, a União Progressista apresentou outro desenho: a vice seria indicada pelo PL, mas o PDT permanecia na coligação.

E às 23h58 veio o documento do próprio PL: a vice continuava sendo exigida pela legenda, JHC passava a constar como condição expressa para a aliança e o PDT já não aparecia na relação das agremiações que formariam a coligação.

A imprensa enxergou a primeira parte da história — a disputa pela vice.

O documento das 23h58 revelou algo a mais: o PDT, que ainda aparecia na configuração anterior, simplesmente deixou de constar no novo desenho formalizado pelo PL.

ARTHUR LIRA CONFIRMADO; OUTRA VAGA AO SENADO FICA ABERTA


A ata também confirma Arthur Lira na primeira vaga ao Senado.

O primeiro suplente será Luiz Romero Cavalcante Farias, indicado pelo PL. Para a segunda suplência, o texto reserva a indicação à Federação PSDB Cidadania e condiciona o posto ao nome da ex-prefeita de Arapiraca Célia Rocha.

Já a segunda candidatura ao Senado, espaço anteriormente ocupado no desenho político por Alfredo Gaspar, permanece sem candidato definido.

A ata estabelece que essa vaga poderá ser indicada pelo PL ou por outro partido integrante da coligação.

NOVOS AJUSTES AINDA SÃO POSSÍVEIS


O cenário ainda pode mudar.

A própria Executiva do PL reiterou poderes para realizar alterações, aditamentos, exclusões, substituições, preencher vagas remanescentes e definir a composição final das chapas.

Por isso, seria prematuro afirmar que Ronaldo Lessa está definitivamente fora de qualquer entendimento político com JHC.

O que é possível afirmar, porque está escrito no documento, é outra coisa:

na ata do PL transmitida às 23h58 do dia 6 de agosto, o PDT não aparece entre os partidos da coligação; JHC é imposto como condição para o apoio ao Governo; e o PL exige para si o poder de indicar o candidato a vice-governador.

Poucas horas antes, Ronaldo Lessa dizia ocupar exatamente essa vaga.

A disputa pela vice já era conhecida.

O que a ata das 23h58 trouxe à lume foi um passo além: no desenho do PL, não apenas a vice saiu das mãos de Lessa. O PDT também saiu da relação da aliança.