GUERRA PARTIDÁRIA

Nacional atropela decisão de Alagoas em favor do MDB e leva Renovação Solidária para o palanque de JHC e Arthur Lira

Federação estadual havia fechado com MDB, mas Executiva Nacional assumiu as decisões em meio a crise interna e aprovou aliança com PSDB/Cidadania e União Progressista; disputa já está no TRE

Por Redação Publicado em 07/08/2026 às 01:02
Paulinho da Força, da Nacional e Adeilson Bezerra, da Executiva estadual do Solidariedade: caminhos antagônicos Reprodução

O que aconteceu com a Federação Renovação Solidária em Alagoas deixou de ser uma simples divergência partidária e passou a ter contornos de uma verdadeira guerra pelo controle de seu destino eleitoral.

Uma decisão tomada em Alagoas havia colocado a federação, formada por PRD e Solidariedade, na coligação do MDB. Pouco depois, a Executiva Nacional assumiu diretamente as deliberações eleitorais do Estado e mudou o rumo: aprovou apoio a JHC para governador, Arthur Lira para o Senado, vice indicado pelo PL e a coligação “Alagoas Forte”.

A mudança beneficia diretamente o bloco político formado pela Federação PSDB/Cidadania e pela Federação União Progressista, de Arthur Lira.

Politicamente, é difícil não enxergar o movimento como uma tomada do destino eleitoral da Renovação Solidária pela direção nacional em favor do bloco adversário ao MDB. Mas há uma distinção necessária: a ata não demonstra que PSDB ou União Progressista tenham juridicamente comandado a intervenção interna. O que ela comprova é que a Executiva Nacional da própria Renovação Solidária assumiu as decisões e produziu um resultado que colocou a federação no palanque de JHC e Lira.

E a disputa não é apenas política. Ela já está judicializada.

Ata nacional admite “impasse político e institucional”

O próprio documento nacional explica a origem da crise.

A Executiva Nacional registra que o diretório estadual do Solidariedade e seu presidente, Adeilson Teixeira Bezerra, ingressaram com o Mandado de Segurança nº 0600472-78.2026.6.02.0000, no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas, questionando a validade da convenção estadual e a composição da Comissão Provisória da federação.

A ata afirma, textualmente, que isso provocou um “relevante impasse político e institucional” quanto ao funcionamento e à representação da federação em Alagoas.

Na sequência, a direção nacional invoca o artigo 38 de seu estatuto, que permitiria a atuação do órgão hierarquicamente superior quando a instância estadual não estiver em condições de exercer regularmente suas atribuições.

Foi a partir daí que a Nacional passou a deliberar diretamente sobre Alagoas.

Estadual havia escolhido MDB

A mudança fica ainda mais evidente quando os documentos são colocados lado a lado.

Na ata estadual anterior, a Renovação Solidária decidiu fazer coligação com o MDB e chegou a registrar expressamente que essa opção significava excluir o apoio à Federação União Progressista.

A direção nacional fez o contrário.

Aprovou Arthur Lira para a primeira vaga ao Senado, com Luiz Romero Cavalcante Farias como primeiro suplente e Célia Rocha como segunda suplente. A segunda vaga ficou para indicação da Federação PSDB/Cidadania.

Para governador, a Nacional decidiu apoiar o nome indicado pelo PSDB/Cidadania, mas estabeleceu uma condição explícita: tem de ser JHC.

A ata diz que a adesão é condicionada exclusivamente a João Henrique Holanda Caldas, não se estendendo a qualquer outro nome. O vice-governador, por sua vez, ficará sob indicação do PL.

A coligação escolhida recebeu o nome “Alagoas Forte”.

Uma federação, duas direções políticas opostas

O resultado é um quadro politicamente explosivo.

De um lado, há uma decisão estadual apontando para o MDB e Renan Filho.

Do outro, uma deliberação da Executiva Nacional colocando a federação com JHC e Arthur Lira.

E no meio dessa disputa há um processo no TRE questionando justamente a legitimidade do órgão estadual e das decisões anteriores.

Portanto, dizer que o episódio pode ser judicializado já ficou para trás. Ele já está na Justiça.

O que ainda poderá ocorrer é o aprofundamento dessa disputa no julgamento dos registros, dos atos partidários e eventualmente de novos recursos.

Dez nomes para deputado federal

Apesar da guerra pela majoritária, a Executiva Nacional também homologou a chapa proporcional.

Para deputado federal foram aprovados Eucenia Vieira (2512), Heloane Costa (7777), Coronel Joana Darc (2555), Val Amelio (7700), Cícero Conceição (7710), Gervásio Neto (2525), Coronel Ivon (2500), Dr. João Neto (7720), Marcelo Gouveia (2522) e Marcos Ferreira (7711).

Há mudanças em relação à composição registrada anteriormente pela instância estadual, inclusive em nomes e números eleitorais.

27 candidatos para a Assembleia

Para deputado estadual, foram aprovados Camille Costa (77333), Enfermeira Débora (25888), Ive Oliveira (25222), Jane Souza (25666), Prof. Lyara (25444), Natália Alves (25551), Renata Guedes (77222), A Blogueira do Povo (77000), Fofa Borges (77888), Tonhão do Bloco (77465), Mamulengo das Alagoas (77999), Danilo da Mídia (25321), Delan (25678), Prof. Edilson (25125), Erick Brito (25225), Everaldo Raposo (77567), Dr. França Brito (25123), Pastor Givonaldo (25555), Cantor Israel Santos (77233), Ivanildo Policial (25000), Jaudeni Coutinho (77444), Fernandinho Enfermeiro (77123), Theo Alves (25025), Cantor Zé Luiz (25333), Willames do Centro (77789), Romulo Medeiros (77111) e Wadson Regis (77777).

Nacional assumiu, mas devolveu poderes à estadual

Há ainda uma contradição curiosa.

Depois de assumir diretamente as principais decisões eleitorais, a própria Executiva Nacional voltou a conceder poderes amplos à Comissão Provisória Estadual, autorizando-a inclusive a mudar de coligação, deixar uma aliança para ingressar em outra, retirar candidaturas e escolher novos candidatos.

Isso significa que o capítulo pode não estar encerrado.

Tentativa de captura política?

Do ponto de vista político, o resultado da atuação nacional é inequívoco: a federação saiu do MDB e foi parar no bloco de JHC e Arthur Lira.

É legítimo, portanto, questionar se o que ocorreu foi uma tentativa de capturar politicamente uma federação cuja direção estadual havia escolhido caminho oposto.

Mas a responsabilidade precisa ser colocada documentalmente no lugar correto: quem assinou e aprovou a mudança foi a Executiva Nacional da Renovação Solidária.

O PSDB/Cidadania de JHC e a União Progressista de Arthur Lira foram os grandes beneficiários do rearranjo.

Se isso permanecerá de pé ou será revertido pela Justiça Eleitoral é uma questão que ainda poderá render novos capítulos.

A única certeza é que a Renovação Solidária entrou na eleição dividida entre dois caminhos: a decisão local apontava para Renan Filho; a Nacional puxou a federação para JHC e Arthur Lira.