PSDB dá carta branca a JHC, lança Marina à Câmara e sela aliança com grupo de Arthur Lira
Ata da Federação PSDB/Cidadania coloca Marina JHC como candidata a deputada federal, contrariando cenário anteriormente projetado por Flávio Bolsonaro para o Senado; União Progressista, de Arthur Lira, aparece formalmente entre os aliados da chapa majoritária
A convenção da Federação PSDB/Cidadania em Alagoas revelou, na noite desta quinta-feira (6), como está sendo desenhado o projeto eleitoral do grupo comandado por JHC para as eleições de 2026. E o documento traz duas informações politicamente relevantes: Marina Cândia, esposa de JHC, será candidata a deputada federal, e a Federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP e abriga Arthur Lira, integra formalmente a aliança majoritária construída pelo grupo.
A ata foi enviada à Justiça Eleitoral às 23h26 desta quinta-feira e registra a convenção realizada no dia 5 de agosto, na Associação Comercial de Maceió.
O documento também concede poderes extremamente amplos à Executiva da Federação PSDB/Cidadania e, especificamente, ao seu presidente, João Henrique Holanda Caldas, JHC, para completar e até modificar a chapa majoritária e proporcional.
Marina JHC é federal, não senadora
A principal novidade está na confirmação do destino eleitoral de Marina Antunes Cândia e Figueiredo.
A esposa de JHC foi homologada pela Federação PSDB/Cidadania como candidata a deputada federal, adotando nas urnas o nome “Marina JHC” e o número 4545.
O cadastro produzido a partir da convenção confirma novamente:
Marina JHC — deputada federal — 4545.
A decisão põe fim, pelo menos neste momento, às especulações de que Marina disputaria uma das duas vagas ao Senado.
E representa uma mudança importante em relação ao cenário que havia sido apresentado meses atrás em anotações de Flávio Bolsonaro sobre a eleição em Alagoas.
Em fevereiro, documentos atribuídos ao então presidenciável colocavam JHC como possibilidade para o Governo e Marina Cândia na disputa pelo Senado. Reportagens da época registraram que a autenticidade das anotações foi confirmada por Flávio Bolsonaro, embora elas representassem cenários políticos ainda em construção.
Agora, a ata partidária é objetiva: Marina não aparece para o Senado. Aparece para a Câmara dos Deputados.
De Marina senadora para Marina federal
A mudança é significativa porque a candidatura de Marina ao Senado chegou a ocupar papel central nas negociações de JHC durante sua passagem pelo PL.
Naquele período, a possibilidade de lançá-la para a Casa Alta entrou nas discussões do grupo político e apareceu reiteradamente nas especulações sobre a composição majoritária.
A convenção do PSDB/Cidadania, contudo, escolheu outro caminho.
Marina passa a integrar uma chapa de dez candidatos à Câmara Federal, ao lado de Chico Filho, Gilvan Barros, Ivana Toledo, Gustavo Lima, Neto Andrade, Eduardo Canuto, Regis Cavalcante, Coronel Buriti e Dra. Francisca.
Seu nome eleitoral também chama atenção: será Marina JHC, numa clara associação à principal marca eleitoral do marido.
PSDB dá amplos poderes a JHC
Se a candidatura de Marina está definida, a chapa majoritária ainda não está formalmente fechada nesta ata.
A Federação PSDB/Cidadania decidiu que terá candidatos a governador e vice-governador, mas delegou à Comissão Executiva o poder de indicar os nomes até o prazo final para apresentação dos registros.
A mesma solução foi adotada para a primeira vaga ao Senado: candidato e suplentes serão escolhidos posteriormente pela Executiva.
Mas há um trecho ainda mais importante.
A convenção concede “amplos poderes” ao órgão executivo da Federação PSDB/Cidadania, por intermédio de seu presidente, JHC, para decidir e registrar posteriormente candidatos a governador, vice-governador, senador e suplentes, deputado federal e estadual.
A autorização chega ao ponto de permitir a “modificação de qualquer decisão tomada nesta convenção”.
Na prática, JHC recebeu uma verdadeira carta branca partidária para concluir o desenho eleitoral.
E Arthur Lira? Está na aliança
Sim. E esse é outro ponto politicamente forte da ata.
O documento registra expressamente que a coligação majoritária será formada pela Federação PSDB/Cidadania, PL, PDT, Federação União Progressista, Podemos, Federação Renovação Solidária, Democracia Cristã (DC) e Avante.
A Federação União Progressista reúne União Brasil e PP, exatamente o grupo partidário pelo qual Arthur Lira construiu sua candidatura ao Senado.
Portanto, apesar dos embates e rompimentos ocorridos ao longo da pré-campanha, a ata do PSDB/Cidadania coloca formalmente JHC e a federação de Arthur Lira dentro da mesma coligação majoritária.
É importante fazer uma ressalva: esta ata do PSDB/Cidadania não escreve nominalmente “Arthur Lira candidato ao Senado”.
O que ela registra é a presença da Federação União Progressista na coligação. A homologação nominal de Arthur para o Senado aparece nos atos da própria União Progressista.
Senado permanece estrategicamente aberto
A forma como o PSDB/Cidadania tratou o Senado merece atenção.
Para a primeira vaga, a federação reservou a si própria o direito de indicar candidato e suplentes.
Para a segunda vaga, o documento estabelece que o titular e seus suplentes poderão ser indicados por qualquer um dos partidos coligados, com posterior ratificação da Executiva do PSDB/Cidadania.
Isso mantém aberta uma importante margem de negociação.
E a presença da União Progressista entre os partidos formalmente relacionados na coligação coloca o grupo de Arthur Lira diretamente dentro desse processo.
Um desenho bem diferente daquele de fevereiro
O cenário que emerge da convenção é substancialmente diferente daquele esboçado no início do ano.
Nas anotações atribuídas e confirmadas por Flávio Bolsonaro, Marina aparecia para o Senado, enquanto Arthur Lira surgia em meio a dúvidas sobre sua posição na composição alagoana.
Agora, os documentos partidários mostram outro arranjo.
Marina JHC vai para deputada federal.
A Federação União Progressista, de Arthur Lira, está dentro da coligação majoritária.
E JHC concentra poderes para fechar governador, vice, Senado e até promover mudanças nas candidaturas já aprovadas.
A própria convenção ainda autoriza a Executiva a incluir ou excluir partidos da coligação, alterar sua composição e mudar decisões tomadas no encontro.
JHC fica com a caneta
A ata, portanto, produz uma fotografia bastante clara da estratégia tucana.
Formalmente, o PSDB/Cidadania ainda não escreveu no documento o nome de JHC no campo de candidato a governador. Mas colocou nas mãos dele, como presidente da federação, o poder para completar praticamente toda a chapa.
Ao mesmo tempo, lançou sua esposa para a Câmara dos Deputados e formalizou uma aliança que inclui PL e a Federação União Progressista, aproximando no mesmo bloco forças que protagonizaram duros embates durante a pré-campanha.
Se meses atrás o desenho atribuído a Flávio Bolsonaro colocava JHC no Governo e Marina no Senado, a ata registrada agora apresenta uma equação diferente:
JHC com a caneta da majoritária, Marina JHC candidata a deputada federal e o grupo de Arthur Lira formalmente dentro da coligação.