ELEIÇÕES 2026

Atas entram em choque: Renovação Solidária fecha com MDB, mas União Progressista inclui federação na aliança de JHC

Documento da Renovação diz expressamente que acordo com o MDB exclui apoio à União Progressista; um dia depois, ata comandada por Arthur Lira coloca PRD/Solidariedade dentro da coligação “Alagoas Forte”

Por Vladimir Barros Publicado em 06/08/2026 às 19:26
Presidente do Solidariedade Adeilson Bezerra fechou com MDB e não com o partido de Arthur Lira

Duas atas partidárias encaminhadas à Justiça Eleitoral revelam mais uma incoerência na montagem das alianças para as eleições de 2026 em Alagoas.

De um lado, a Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, aprovou em convenção realizada no dia 4 de agosto uma aliança majoritária com o MDB e fez questão de registrar expressamente no documento que essa decisão significava a exclusão do apoio à Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.

Do outro, uma ata posterior da Federação União Progressista, comandada em Alagoas por Arthur Lira, inclui justamente a Federação Renovação Solidária entre as integrantes da coligação que apoiará JHC ao Governo do Estado.
Os documentos, portanto, apresentam deliberações incompatíveis sobre o posicionamento da mesma federação.

Renovação aprovou aliança com MDB


A Convenção Estadual da Federação Renovação Solidária foi realizada às 11h do dia 4 de agosto.

A ata relata que, numa deliberação anterior, de 24 de julho, havia sido aprovado apoio à candidatura da Federação União Progressista ao Senado.

Na nova convenção, entretanto, a direção apresentou outra proposta: uma coligação majoritária com o MDB para governador, vice-governador, senadores e respectivos suplentes.

O documento vai além e não deixa margem para dúvidas sobre o alcance político da decisão:

“Fica claro que a coligação com o MDB significa excluí o apoio à Federação União Progressista.”

A proposta de apoio às candidaturas majoritárias do MDB foi colocada em votação e aprovada por unanimidade dos presentes.

Ou seja, pela ata oficial da própria Renovação Solidária, a federação decidiu romper o entendimento anterior com União Brasil e PP e aderir ao projeto majoritário do MDB.

A reunião terminou às 11h30 e a ata foi enviada à Justiça Eleitoral no próprio dia 4 de agosto, às 12h07.

Ata de Arthur Lira diz exatamente o contrário


A situação muda completamente quando se observa a ata da Comissão Executiva da Federação União Progressista, referente a uma reunião realizada na noite seguinte, em 5 de agosto.

Nesse documento, a federação presidida por Arthur Lira aprovou a formação da coligação majoritária denominada “Alagoas Forte”, composta por:

Federação União Progressista, Federação Renovação Solidária, Partido Liberal, Federação PSDB/Cidadania, PDT e Podemos.

É exatamente aí que aparece a contradição.

Enquanto a Renovação Solidária declarou oficialmente em sua convenção que a aliança com o MDB excluía o apoio à União Progressista, a ata da União Progressista, produzida posteriormente, apresenta PRD e Solidariedade como integrantes de sua própria coligação.

Mais ainda: trata-se da aliança que coloca JHC como candidato ao Governo, desde que indicado pela Federação PSDB/Cidadania.

A ata da União Progressista foi transmitida à Justiça Eleitoral somente na quinta-feira, 6 de agosto, às 18h27.

MDB ou JHC?


A divergência documental produz uma pergunta objetiva:

Afinal, a Federação Renovação Solidária está com o MDB ou integra a aliança de JHC e Arthur Lira?

Pela ata da própria federação, registrada no dia 4, a resposta é MDB.

Pela ata posterior da União Progressista, a resposta é JHC.

E não se trata apenas de uma diferença de interpretação política.

No documento da Renovação, a exclusão do apoio à União Progressista foi colocada de maneira explícita. A ata afirma que a federação decidiu celebrar coligação para governador, vice, Senado e suplentes com o MDB, cabendo à convenção estadual emedebista escolher e homologar os candidatos da chapa majoritária.

Já o documento de Arthur Lira lista nominalmente a Renovação Solidária dentro da coligação “Alagoas Forte”.

Renovação pode retificar a decisão


Existe, contudo, uma previsão na própria ata da Renovação Solidária que pode explicar uma eventual mudança posterior.

Ao final da convenção, os participantes concederam poderes gerais à Comissão Provisória Estadual para deliberar sobre assuntos não tratados e também para retificar as deliberações da convenção, retirar candidaturas e até escolher outros candidatos.

Portanto, juridicamente, há espaço para que uma nova deliberação da federação modifique o posicionamento aprovado no dia 4.

O que não aparece, nos documentos analisados até agora, é uma ata posterior da própria Federação Renovação Solidária revogando a aliança com o MDB e aprovando a entrada na coligação de JHC.

Até que um documento dessa natureza seja apresentado, permanece uma inconsistência objetiva entre os registros.

Segunda divergência dentro da mesma aliança


O episódio se soma a outra contradição já encontrada nas atas da futura coligação de JHC.

O PDT homologou Ronaldo Lessa como candidato a vice-governador e registrou que caberia ao partido indicar o ocupante da vaga. Horas depois, a ata da União Progressista reservou a vice-governadoria ao PL.

Agora, a mesma ata da União Progressista entra em choque com a documentação da Renovação Solidária.

A diferença é ainda mais expressiva neste caso: a própria Renovação escreveu em sua ata que o acordo com o MDB excluía o apoio à União Progressista.

Mesmo assim, cerca de dois dias depois, a federação aparece formalmente relacionada pela União Progressista como integrante do bloco de JHC.

Registros terão de ser compatibilizados


As divergências ainda podem ser corrigidas ou esclarecidas pelos partidos durante o processo de registro das candidaturas e da coligação.

Mas, enquanto isso não ocorre, os documentos oficiais enviados à Justiça Eleitoral contam duas histórias diferentes.

Na ata de 4 de agosto, PRD e Solidariedade estão com o MDB e excluem expressamente o apoio à União Progressista.

Na ata posterior da União Progressista, a Federação Renovação Solidária aparece ao lado de JHC, Arthur Lira, PL, PDT, Podemos e PSDB/Cidadania.

A Justiça Eleitoral deverá receber uma configuração definitiva e juridicamente coerente da coligação. Politicamente, porém, as atas já revelam o tamanho das negociações — e das mudanças de rota — que marcaram as últimas horas antes do fechamento das alianças em Alagoas.