Aumento das penas para Ronnie Lessa e Élcio Queiroz pelos assassinatos de Marielle e Anderson
Ex-policiais agora enfrentam sentenças de 81 anos e 76 anos de prisão, respectivamente.
A Justiça do Rio de Janeiro aumentou a pena dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio de Fernanda Chaves. O Estadão tenta localizar a defesa dos ex-policiais.
A decisão de terça-feira, 4, aumenta a pena de Ronnie Lessa de 78 anos e nove meses para 81 anos e 10 meses de prisão, enquanto Élcio Queiroz passou de 59 anos e oito meses para 76 anos e seis meses de prisão.
Executores confessos do ex-parlamentar, Lessa e Queiroz estão presos desde março de 2019. A dupla foi denunciada e condenada por duplo homicídio triplamente qualificado , por um homicídio tentado e pela receptação do veículo Cobalt utilizado no dia do crime, em 14 de março de 2018.
A decisão da Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) atende a um recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
O Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sustentou que a sentença não havia considerada a repercussão internacional do crime , a forma de execução dos homicídios, com diversos disparos ocorridos em via pública, em local de intensa circulação de pessoas e o planejamento da ação criminosa.
“Mostra-se adequado e proporcional o aumento aplicado na pena com base pelas quatro questões judiciais desfavoráveis - culpabilidade, pessoalidade, conduta social e consequências do crime, pois devidamente fundamentado nas circunstâncias objetivas e subjetivas do caso”, diz a decisão da Primeira Câmara Criminal do Rio.
Além disso, o MPRJ argumenta que a sentença não levou em consideração o pedido de incidência da parcela mínima de redução pelo reconhecimento da tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves.
O Ministério Público também destacou que os criminosos utilizaram um veículo clonado para a prática dos crimes e que toda a ação foi previamente planejada.
“A execução de um parlamentar, seja ele quem for, representa um ataque direto às instituições legalmente envolvidas. No caso, pelas particularidades como o crime foi praticado com envolvimento de outros parlamentares, autoridade policial e em plena intervenção federal na segurança pública carioca”, diz a decisão da Justiça do Rio.
No parecer, o Gaeco sustentou a necessidade de aumento das penas para "garantir a correta aplicação dos critérios legais de individualização da sanção, em razão da elevada intensidade do dolo, do planejamento sofisticado da ação criminosa e da gravidade dos delitos praticados".