POLÍTICA

Lula defende Marcola em reunião e critica acusações de corrupção

Presidente destaca autonomia da Polícia Federal, mas ressalta que todos devem se explicar diante de denúncias.

Por Estadao Conteudo Publicado em 05/08/2026 às 22:01
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva CC BY 2.0 / Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert /

Em reunião com dirigentes do PSOL e da Rede, nesta quarta-feira, 5, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que em seu governo, a Polícia Federal possui autonomia para investigar qualquer pessoa. Durante o encontro, ele defendeu seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro Santana, conhecido como Marcola.

"Quem aqui nunca pediu empréstimo para um amigo?", questionou Lula, de acordo com três participantes do encontro que ocorreu no Palácio da Alvorada. Marcola deixou a coordenação da campanha de Lula após a Polícia Federal descobrir repasses de dinheiro feitos pela empresária Roberta Luchsinger, identificada como lobista de negócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

O ex-assessor de Lula informou, em nota, que quitou R$ 249 mil de um "empréstimo" de Roberta, embora não tenha esclarecido quando efetuou o pagamento e qual foi a finalidade do dinheiro.

Durante a conversa com os aliados, o presidente comentou que, ao longo da história, a direita utilizou denúncias de corrupção não comprovadas para desestabilizar governos, citando os casos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Neste contexto, ele se referiu à explicação de Marcola sobre os pagamentos recebidos.

Embora tenha se manifestado em favor do ex-auxiliar, Lula garantiu que não há privilégios em seu governo, nem para seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Amigo de Roberta, Lulinha enfrenta três inquéritos da Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência.

A empresária, por sua vez, foi alvo de mandado de busca e apreensão no final de 2025, no âmbito das investigações sobre desvios de aposentadorias do INSS. Ela também é suspeita de atuar no Ministério da Saúde, em parceria com Lulinha, para obter autorização para que uma empresa relacionada ao Careca do INSS vendesse produtos à base de cannabis medicinal.

Durante a reunião, que se estendeu por uma hora e abordou diversos temas, como projetos parados no Senado e relações internacionais, Lula reiterou que quem é alvo de denúncias deve se explicar. "Quem errou, que pague", frisou.

Apesar da saída de Marcola, Lula expressou tristeza pela decisão, já que ele o acompanhava há aproximadamente 11 anos, mas afirmou que Marcola terá todo o tempo necessário para se defender.

O encontro contou com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, do PSOL, e do presidente do PT, Edinho Silva, que também é coordenador da campanha de Lula.

Os líderes das federações PSOL-Rede apresentaram a Lula um documento com propostas para o programa de governo de um possível quarto mandato do presidente. Um dos trechos do texto, intitulado "Carta ao Lula", destaca que a ação vigorosa da Polícia Federal contra a "gangsterização da política" deve prosseguir, sem proteger nem perseguir ninguém, "doa a quem doer".

O presidente tinha conhecimento prévio sobre as mensagens entre Marcola e Roberta. Marcola ocupava um cargo no terceiro andar do Palácio do Planalto e deixou seu posto no dia 21 do mês passado para se integrar à campanha presidencial. Na ocasião, interlocutores de Lula afirmaram que ele faria a "ponte" entre a campanha e o governo federal.

Na prática, Lula já estava ciente da relação de Marcola com Roberta, pois o sigilo do celular da empresária havia sido quebrado, revelando mensagens entre os dois sobre transações financeiras.

Ao ser questionado pelos membros da coordenação de sua campanha, o ex-chefe de gabinete confirmou que aceitou que Roberta pagasse contas, mas defendeu a quantia como um "empréstimo".