Kelmann expõe crise com braço direito de JHC e põe permanência no grupo em dúvida
Vereador confirma relação difícil com coronel Diego, cobra respeito aos compromissos assumidos e afirma que aguarda reuniões antes de tomar uma decisão
O vereador Kelmann Vieira expôs, na noite deste domingo (2), uma crise interna no grupo político de JHC e colocou em dúvida sua permanência no projeto liderado pelo ex-prefeito de Maceió.
Em publicação nas redes sociais, Kelmann confirmou que enfrenta uma relação difícil com o coronel Diego, considerado um dos principais auxiliares de JHC e apontado nos bastidores como responsável pelas articulações envolvendo nomeações na Prefeitura de Maceió.
O vereador afirmou que costuma rebater como “fake news” as matérias publicadas sobre ele, mas admitiu que, dessa vez, não poderia negar a veracidade das informações.
“Essa, no entanto, por questão de princípios inegociáveis que carrego comigo, não posso negar a veracidade da matéria, nem tampouco o relacionamento muito difícil que estou tendo atualmente com a pessoa citada”, escreveu.
Sem detalhar publicamente os motivos do desgaste, Kelmann deixou claro que a posição ocupada por Diego no grupo de JHC não impedirá uma reação caso ele considere que os compromissos assumidos não estejam sendo respeitados.
“Independentemente da importância dele no grupo do pré-candidato a governador, para mim, o respeito e os compromissos assumidos, em se tratando de política, são princípios básicos”, afirmou.
Kelmann também relembrou que deixou o MDB e se filiou ao PSDB sem a concordância do antigo partido. Segundo ele, a decisão foi tomada para acompanhar o projeto político de JHC.
“Eu me sinto muito à vontade para dizer que não traí. Fui o único que, sem anuência do MDB, saiu do partido para me filiar ao PSDB”, declarou.
O vereador, porém, disse que o tratamento recebido nos últimos dias poderá levá-lo a rever sua posição dentro do grupo.
“O tratamento recebido nos últimos dias me faz tomar decisões que, para mim, valem muito mais do que perder meu respeito e minha palavra com minha base política”, escreveu.
A manifestação representa uma das primeiras exposições públicas de conflito dentro do grupo de JHC desde o início das articulações para as eleições deste ano.
Kelmann afirmou que permanecer em qualquer grupo político depende de ser ouvido e tratado como parceiro.
“Para mim, participar do grupo A ou B só faz sentido se eu for respeitado, ouvido e tratado como parceiro”, disse.
Em outro trecho, o vereador mandou um recado direto ao coronel Diego ao afirmar que patentes e posições hierárquicas não interferem em suas decisões políticas.
“O que menos vale para mim é patente. Pode ser quem for. Já briguei com secretário, com governador e posso brigar com qualquer um que não me respeite”, disparou.
Apesar do tom duro, Kelmann não anunciou rompimento com JHC nem saída do PSDB. Ele afirmou que aguarda o resultado de reuniões antes de definir os próximos passos.
“Continuo firme na batalha, aguardando o desenrolar de algumas reuniões, porque, para mim, o que menos importa é o cargo. Respeito para ser respeitado”, declarou.
O vereador também prometeu informar diretamente aos seguidores qualquer mudança em seu posicionamento político.
“Se está havendo um problema, não posso esconder de vocês, que são a razão da minha luta e da minha coragem”, afirmou.
Ao final, Kelmann reforçou que não pretende tratar o conflito como um assunto reservado aos bastidores.
“Nada, para mim, é tratado como segredo, porque meus parceiros merecem de mim transparência, honestidade e verdade”, concluiu.
A manifestação aumenta a pressão sobre o grupo de JHC em um momento de definição de candidaturas, alianças e espaços políticos. Até a publicação desta matéria, o coronel Diego e JHC não haviam se pronunciado sobre as declarações de Kelmann Vieira.