Defesa de Bolsonaro nega autorização para uso da imagem em vídeo
Ex-presidente não tinha conhecimento prévio sobre material exibido em convenção do PL, segundo sua defesa.
A nesta defesa de Jair Bolsonaro informou quarta-feira, 29, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente não tinha conhecimento prévio sobre o vídeo exibido na convenção do PL no sábado, 25. No lançamento oficial da candidatura de Flávio Bolsonaro, foram exibidas imagens e voz criadas pela inteligência artificial (IA) de Jair Bolsonaro pedindo apoio ao filho.
A declaração é uma resposta ao questionamento feito na terça-feira, 28, por Alexandre de Moraes. O ministro queria saber se o ex-presidente tinha sido consultado anteriormente sobre o vídeo e se havia autorizado a exibição.
No despacho, Moraes afirmou que “a eventual concordância de Jair Messias Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente políticos-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar para o regime fechado”.
Afirmou que Bolsonaro não autorizou a utilização de sua imagem e voz para a produção de vídeo feito por meio de inteligência artificial referida na decisão. E acrescentou que o cliente não poderia fazer isso, por estar com o direito de visitas suspenso pelo prazo de 30 dias, sem poder encontrar com os filhos.
Os advogados ponderaram que, antes da restrição, os filhos do ex-presidente "sempre utilizaram sua imagem pública no âmbito da atividade político-partidária, reproduzindo fotografias, gravações, pronunciamentos, discursos, entrevistas e demais manifestações públicas, prática notória, contínua e jamais objeto de qualquer oposição por parte do titular desse direito".
Bolsonaro cumpre pena em decorrência das reportagens por tentativa de golpe de Estado e foi proibido de se manifestar sobre política e de ter acesso às redes sociais.
A estratégia de defesa do ex-presidente é evitar que ele volte para a Papudinha, onde iniciou a aplicação da pena. A transferência para a prisão domiciliar ocorreu diante da condição precária de saúde que o réu apresenta.
A resposta da defesa pode prejudicar Flávio Bolsonaro. Segundo as regras sobre inteligência artificial em campanhas, só é permitido o uso de imagens e áudios de uma pessoa se ela autorizar a prática. No entanto, a proteção da Justiça Eleitoral, se para o caso, deve ser apenas o pagamento de multa e a ordem de retirada do conteúdo do ar.