Prazo aperta, candidaturas caem e disputa pelo Senado segue aberta em Alagoas
Os partidos políticos de Alagoas entram na fase mais decisiva das articulações para as eleições de 2026. Faltando nove dias para o encerramento do período das convenções, ainda existem indefinições envolvendo alianças, candidaturas ao Senado, nomes para vice-governador e a formação das chapas proporcionais para deputado federal e estadual.
O período das convenções começou no último dia 20 e terminará em 5 de agosto. É nessa etapa que partidos e federações escolhem oficialmente seus candidatos, decidem as coligações para os cargos majoritários e organizam as listas que disputarão as vagas proporcionais. Em 2026, os alagoanos votarão para presidente da República, governador, dois senadores, deputados federais e deputados estaduais.
Apesar de meses de pré-campanha, lançamentos, reuniões, filiações e circulação de pré-candidatos pelo interior, o jogo ainda não está inteiramente fechado. Até o encerramento das convenções, acordos podem ser refeitos, candidaturas podem ser retiradas e nomes inicialmente escalados para uma disputa podem ser deslocados para outra.
Em Alagoas, o principal nó está na eleição para o Senado. Como duas cadeiras estarão em disputa, os maiores grupos tentam organizar candidaturas competitivas sem criar conflitos internos, dividir excessivamente seus palanques ou prejudicar as chapas proporcionais.
Governo tem três nomes, mas alianças seguem abertas
Até o início das convenções, três nomes estavam colocados para a disputa pelo Governo de Alagoas: Renan Filho, pelo MDB; JHC, pelo PSDB; e Lenilda Luna, pela Unidade Popular.
A Unidade Popular saiu na frente e realizou sua convenção no dia 21 de julho. O partido oficializou Lenilda Luna como candidata ao governo, o psicólogo Jardel Queiroz como vice e o professor e comunicador Alexandre Fleming como candidato ao Senado. A legenda também apresentou quatro candidaturas proporcionais, sendo duas para deputado federal e duas para deputado estadual.
Nos dois maiores blocos políticos, porém, ainda há pontos importantes a resolver.
O MDB caminha para confirmar Renan Filho ao governo. Para o Senado, os nomes apresentados pelo grupo são os do senador Renan Calheiros e do deputado estadual Doutor Wanderley. A legenda também precisa oficializar o candidato a vice-governador e fechar as composições com os partidos que integram sua base. Informações de bastidores apontam que a convenção poderá ser realizada no último dia permitido, 5 de agosto, embora a data ainda estivesse sendo tratada com cautela até o fechamento desta edição.
No PSDB, a tendência é a confirmação de JHC para o governo e da senadora Eudócia Caldas para uma das vagas ao Senado. O grupo, entretanto, ainda mantém conversas com outras forças partidárias e não havia anunciado oficialmente a data da convenção até o início do prazo legal.
A escolha do candidato a vice de JHC e a definição de eventuais aliados para o Senado estão entre os pontos capazes de modificar o desenho final da chapa.
Senado concentra o maior suspense
A corrida pelas duas vagas do Senado é o setor mais congestionado da eleição alagoana.
Além de Renan Calheiros, Doutor Wanderley, Eudócia Caldas e Alexandre Fleming, estão colocados nomes como Arthur Lira, Alfredo Gaspar e Davi Davino Filho. A permanência de todos eles na disputa dependerá das decisões tomadas nas convenções e das estratégias das respectivas legendas.
A Federação União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas, marcou sua convenção para 1º de agosto. Arthur Lira mantém sua pré-candidatura ao Senado, mas o grupo ainda não apresentou oficialmente um nome para o Governo de Alagoas. Nos bastidores, persistem tentativas de aproximação com JHC, ao mesmo tempo em que o bloco avalia alternativas para não ficar sem candidato ao Executivo estadual.
O PL deverá realizar sua convenção no dia 2 de agosto. O partido trabalha com a candidatura de Alfredo Gaspar ao Senado, mas também chega à reta final sem um nome definido para governador. A ausência de uma candidatura própria ou de uma aliança consolidada também dificulta a montagem, em Alagoas, de um palanque para o candidato presidencial da legenda.
Davi Davino Filho, por sua vez, deverá disputar o Senado pelo Republicanos sem integrar formalmente uma chapa para o governo. O entendimento construído pela legenda garante sua candidatura independente, permitindo que ele conduza a campanha sem compromisso oficial com Renan Filho, JHC ou outro candidato ao Executivo estadual.
Esse número elevado de concorrentes torna a disputa imprevisível e aumenta a importância das convenções. Mais do que homologar nomes, os encontros partidários definirão quais candidatos terão palanques estruturados, maior tempo de propaganda e apoio de chapas proporcionais espalhadas pelos municípios.
Desistências mexem com chapas proporcionais
As disputas para deputado federal e estadual também passam por mudanças de última hora.
Uma das principais baixas ocorreu no PSDB. O influenciador Rico Melquiades desistiu da pré-candidatura a deputado federal após assumir compromissos profissionais com uma emissora de televisão. Ele era considerado um nome com potencial para atrair votos por causa de sua popularidade nas redes sociais, e sua saída obrigou a legenda a reorganizar a chapa federal.
O vereador por Maceió Kelmann Vieira também anunciou que não disputaria mandato estadual nem federal. Ao comunicar a decisão, afirmou que se afastaria da eleição e liberaria sua base política na capital, indicando um rompimento com o grupo de JHC.
As desistências provocam efeitos que vão além da retirada individual dos nomes. Em uma eleição proporcional, cada partido precisa montar chapas capazes de alcançar votação suficiente para disputar vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. A saída de candidatos com bases municipais, mandatos ou forte presença nas redes pode obrigar as legendas a buscar substitutos e recalcular suas expectativas.
Até 5 de agosto, novas desistências, mudanças de cargo e incorporações de última hora ainda podem ocorrer.
Convenção não encerra o processo
A homologação nas convenções é uma etapa fundamental, mas não transforma automaticamente todos os escolhidos em candidatos definitivamente aptos.
Depois das convenções, partidos, federações e coligações terão até 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro à Justiça Eleitoral. Caberá aos tribunais analisar se os candidatos cumprem as exigências legais e se não existem causas de inelegibilidade. A propaganda eleitoral nas ruas e na internet será liberada a partir de 16 de agosto.
Até lá, a política alagoana viverá dias de reuniões reservadas, telefonemas, pressões e negociações.
Na eleição para o governo, os principais nomes já são conhecidos. No Senado, entretanto, o cenário permanece embaralhado. Nas chapas proporcionais, desistências e dificuldades para encontrar candidatos competitivos aumentam a tensão.
Os partidos passaram meses ensaiando seus movimentos. Agora, a contagem regressiva começou.
Até 5 de agosto, será preciso fechar o jogo, escolher os titulares e revelar quem realmente estará nas urnas em 4 de outubro.