Senado deve discutir PEC sobre jornada de trabalho em agosto
A proposta visa acabar com a escala 6x1 e reduzir a carga horária semanal para 40 horas.
O fim da chamada escala 6x1, com seis dias de trabalho e um de folga por semana, seguirá em discussão no Senado em agosto, após o recesso parlamentar. A expectativa de alguns senadores é que a PEC 221/2019 seja votada após a volta dos trabalhos.
Além de acabar com a escala 6x1, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de treino.
O texto chegou ao Senado no fim de maio, após aprovação na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre, determinou que a proposta passasse pelas comissões .
O presidente do Senado tem se reunido com os setores específicos no tema para discutir a proposta. No início de julho, uma reunião foi com os centros sindicais, que defenderam o avanço na análise do texto . Antes, em maio, ele já havia recebido membros dos trabalhadores, que defenderam a votação da proposta somente após as eleições .
Agosto
Em entrevista na segunda-feira (13), o líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) afirmou que o fim da escala 6x1 é “prioridade absoluta” para o governo e que continuará trabalhando para que a votação ocorra assim que possível.
— Mesmo no período das eleições, o Senado vai funcionar em esforços concentrados e remotamente. Não impeça que possamos ainda votar a PEC do fim da escala 6x1 em agosto. Nós vamos, ainda, insistir em avançar sobre essa proposta de emenda à Constituição ainda nesse período.
As semanas de esforço concentrado serão entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro, e deverão coincidir com os esforços concentrados na Câmara, conforme anunciado por Davi Alcolumbre na quarta-feira (15).
— O calendário é exatamente o mesmo que será adotado pela Câmara dos Deputados, permitindo que o Congresso Nacional funcione em plenitude e de modo eficiente e harmônico — informou Davi.
Defesa
Em pronunciamentos recentes, o senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da proposta, disse ter esperança de que a votação ocorreu em agosto. Para ele, o debate sobre a redução da jornada não “pertence” ao governo, à oposição e nem aos partidos políticos, e sim ao povo.
— Tenho muita esperança de que a PEC vai ser votada no mês de agosto, porque, com certeza, o trabalhador brasileiro sabe que não vai nadar, nadar e morrer na beira da praia. Espero que esta Casa compreenda a dimensão histórica dessa decisão — defendida.
Para Paim, o fim da escala 6x1 fará com que a produtividade do trabalhador brasileiro aumente, ao invés de diminuir. Ele argumentou que países com jornadas menores apresentam índices mais elevados de produção por hora trabalhada.
Também em defesa do avanço na análise da PEC, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) comparou a jornada dos trabalhadores aos parlamentares. Ele lembrou que o período da campanha eleitoral começa em agosto e disse que o eleitor precisa cobrar seus representantes.
— Muitos vão aí pedir voto para você não querem votar o fim da escala 6x1, querem fazer você trabalhar igual a um condenado no 6x1, e nós aqui trabalhando, durante este ano de 2026, o que não vai dar nem um mês de trabalho, do jeito que está aí — criticou.
Eleições
Outros senadores demonstram preocupação com os efeitos da PEC e defendem que a votação fique para depois das eleições. Na sessão temática no início de julho , o líder da oposição, senador Rogério Marinho (PL-RN), defendeu o amadurecimento do debate e a discussão do tema fora do período eleitoral.
— Não é proibido, não é interditado discutirmos jornada de trabalho. Pelo contrário, é uma discussão que tem que acontecer. Mas por que agora? Por que neste momento? — questionou o senador.
No mesmo debate, o senador Jayme Campos (União-MT) afirmou que votará a favor da PEC, mas defendeu que o debate seja feito com serenidade e que todos os setores sejam ouvidos para que a solução seja equilibrada.
— Estamos falando da vida de milhões de brasileiros, do tempo dedicado à família, ao descanso, à qualificação profissional e, ao mesmo tempo, à competitividade das empresas e à capacidade de gerar empregos. É justamente por isso que este debate exige serenidade, responsabilidade e diálogo — ponderou.
Outras propostas
Também na sessão temática, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) criticou a falta de estudos de impacto econômico e social da medida durante a análise na Câmara e afirmou que a PEC terá consequências negativas na economia. Ele defendeu a aprovação de outra proposta em análise no Senado.
— Defendemos a PEC 12/2026 , que permite ao trabalhador negociar uma jornada flexível de acordo com suas necessidades. Direitos de férias, décimo terceiro e FGTS seguimento de forma proporcional à jornada acordada — garantida.
A proposta foi apresentada pelo senador Rogério Marinho logo após a chegada da PEC 221 ao Senado. Pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. A PEC deixa claro que o contrato individual prevalece sobre possíveis acordos coletivos. Benefícios como FGTS, férias e 13º salário também seriam proporcionais às horas trabalhadas.
Na Câmara, a PEC 221 foi comprovada junto com outra proposta, a PEC 8/2025 , da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que prevê uma carga máxima de 36 horas em quatro dias de trabalho. O texto foi arquivado.
Outro projeto, o PL 1.838/2026 , foi apresentado em abril pelo Executivo. Ele define em 40 horas semanais o limite da jornada normal de trabalho e garante ao trabalhador dois descansos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. Após a aprovação da PEC 221, o governo retirou o pedido de urgência para o projeto, que segue em análise na Câmara.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)