SEGURANÇA

Preocupação com segurança e corrupção cresce entre os brasileiros, revela pesquisa

Levantamento da Ipsos mostra que a violência e a corrupção estão entre as principais preocupações da população.

Por Estadao Conteudo Publicado em 27/07/2026 às 13:21
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Às vésperas do início da campanha eleitoral, a maioria dos brasileiros segue preocupada com a segurança pública . É o que aponta a pesquisa "What Worries the World", realizada pela Ipsos. Segundo o levantamento, em julho, 43% dos entrevistados mencionaram o crime e a violência como o tema mais preocupante do país, 11 pontos percentuais acima da mídia global .

De acordo com a pesquisa, as preocupações dos brasileiros estão mais técnicas em segurança , corrupção , saúde e impostos do que da população dos outros 29 países analisados. Enquanto o crime e a violência aparecem como o principal problema tanto no Brasil quanto na mídia global, os entrevistados brasileiros atribuem peso menor a temas econômicos como inflação e desemprego.

Para Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, os resultados de julho apontam para um cenário de continuidade nas percepções da população.

"No Brasil, a redução da intensidade de algumas preocupações não altera a predominância de temas estruturais, como segurança pública, corrupção e desigualdade, que seguem no centro da agenda. No cenário internacional, a estabilidade dos indicadores também prevalece, enquanto oscilações mais expressivas são mantidas em contextos específicos de cada país, refletindo desafios e debates próprios de suas realidades nacionais", disse.

O Brasil aparece como o sétimo país onde o crime e a violência mais preocupam a população. O percentual brasileiro, de 43%, fica atrás dos registrados no Peru e Chile, ambos com 60% ; México e Suécia, com 55% ; Israel, com 45% ; e África do Sul, com 44% . Apesar da posição elevada, o índice caiu quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, mas permanecem dois pontos acima da coleta há um ano.

A corrupção financeira ou política é apontada como a segunda maior preocupação dos brasileiros. O tema foi citado por 36% dos entrevistados, oito pontos percentuais acima do resultado mundial, de 28%. O patamar representa queda de três pontos no mês, mas crescimento de quatro pontos na comparação anual.

Na saúde, o terceiro tema, a diferença foi de 11 pontos: 35% entre os brasileiros e 24% no conjunto das nações. O resultado é igual ao de junho e um recuo de dois pontos em relação ao mesmo mês de 2025.

Impostos colocam o Brasil em 2º lugar

A maior diferença na relação com a mídia global aparece na preocupação com os impostos. O tema foi considerado por 30% dos brasileiros, quase o dobro dos 17% distribuídos globalmente. A percepção avançou um ponto em relação ao mês anterior e dois pontos em 12 meses.

Com esse resultado, o Brasil assumiu a segunda posição do ranking, atrás apenas da Bélgica, onde 36% indicaram os impostos entre os três assuntos mais preocupantes.

No sentido oposto, a inflação preocupa 24% dos entrevistados no Brasil, abaixo da média mundial de 30%. O desemprego foi citado por 19% dos brasileiros, contra 29% no mundo. No ranking nacional, os dois assuntos aparecem apenas na sexta e na sétima colocações, respectivamente, atrás também da pobreza e desigualdade social, mencionadas por 33%.

Maioria vê País na direção errada

Além de apontar os principais problemas nacionais, a pesquisa mostra que 61% dos entrevistados responderam que o Brasil está seguindo na direção errada , enquanto 39% avaliam que o País caminha no rumo correto. A percepção negativa cresceu três pontos no mês, embora haja cinco pontos abaixo da observação em julho do ano passado.

A situação econômica também é avaliada pela maioria. Para 65%, a economia brasileira é ruim, enquanto 35% a partilha boa. A avaliação negativa aumentou um ponto na comparação mensal, mas recuou seis pontos em relação ao ano anterior.

A Ipsos entrevistou cerca de 1.000 pessoas, de 16 a 74 anos, no Brasil, de forma virtual, entre 19 de junho e 3 de julho. O intervalo de repetição é de 3,5 pontos porcentuais , para mais ou para menos. A empresa ressalta que a amostra brasileira é mais urbana, escolarizada e de maior renda do que a população geral e representa principalmente a parcela mais conectada do País.