Rute Nezinho defende a implantação de Centros de Assistência Integral ao Autismo
Objetivo é criar uma rede para diagnóstico precoce e atendimento multiprofissional
O diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é um dos principais desafios enfrentados por milhares de famílias que dependem da rede pública de saúde. No entanto, essa é apenas a primeira barreira. Após uma verdadeira peregrinação em busca da confirmação do diagnóstico, muitas famílias ainda precisam enfrentar longas filas de espera para iniciar o tratamento especializado. Em diversos casos, a primeira consulta pode demorar mais de um ano.
Diante dessa realidade, a pré-candidata a deputada federal Rute Nezinho (PSD) defende a ampliação da oferta de serviços especializados por meio da implantação de Centros de Assistência Integral ao Autismo e outras neurodivergências. A proposta prevê a criação de uma rede integrada capaz de garantir diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional e início mais rápido das terapias.
De acordo com a pré-candidata, embora Arapiraca conte com instituições que oferecem esse tipo de atendimento, como o Complexo Multidisciplinar Tarciso Freire, Trate, Associação Pestalozzi, Adfima e APAE, a demanda ainda supera a capacidade de atendimento. Em alguns casos, a espera por uma vaga pode ultrapassar três anos.
"Crianças e adolescentes com TEA e outras neurodivergências não podem esperar tanto tempo para receber o diagnóstico e iniciar o tratamento. A implantação de Centros de Assistência Integral ao Autismo reduzirá a fila de espera e permitirá que os pacientes tenham acesso às terapias no momento em que elas são mais importantes para o seu desenvolvimento. É doloroso para uma mãe voltar para casa sem conseguir atendimento para o filho", afirmou.
Na Câmara Federal, Rute pretende buscar recursos para a construção desses centros especializados e, em parceria com os governos municipal e estadual, viabilizar equipes multiprofissionais para garantir o funcionamento permanente das unidades.
Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que cerca de 33 mil pessoas em Alagoas declararam ter recebido diagnóstico de TEA. A maior concentração está entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos, com 11.485 pessoas, seguida pela faixa etária de 15 a 17 anos, com 7.724. Entre jovens de 18 a 24 anos, foram registrados 828 diagnósticos.
Segundo Rute, esses números representam apenas uma parcela da realidade, já que milhares de pessoas ainda aguardam avaliação e, por isso, não aparecem nas estatísticas oficiais.
Há 15 anos desenvolvendo um trabalho na área da saúde em Arapiraca por meio da Comunidade Terapêutica Dona Paula, Rute afirma que é necessário planejamento antecipado e ações efetivas para garantir saúde aos que mais necessitam.
"Aprendi desde cedo com meus pais que as pessoas que mais precisam têm pressa. E quem tem pressa não pode esperar tanto tempo por um atendimento. Trabalhar para garantir um serviço digno, humanizado e acessível é a minha missão. Esse é o meu propósito", concluiu.