Ex-deputado Tony Garcia denuncia suposto “leilão” do DC de João Caldas para entregar legenda a Sergio Moro no Paraná
Ex-deputado afirma que aliados do senador assumiram o comando do partido no Paraná para viabilizar candidatura ao governo e pede providências ao STF, TSE e à PF
O empresário e ex-deputado estadual Tony Garcia denunciou, por meio de publicação na rede social X, um suposto “leilão” da Democracia Cristã no Paraná para entregar o comando da legenda ao grupo político do senador Sergio Moro.
O DC é presidido nacionalmente por João Caldas, pai do ex-prefeito de Maceió João Henrique Holanda Caldas, o JHC. Como dirigente da sigla máxima no país, João Caldas responde pela condução política e administrativa da estrutura nacional do partido.
Na publicação, Tony Garcia classificou o episódio como uma “denúncia de corrupção” e chamou a atenção dos ministros do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior Eleitoral e da Polícia Federal para as acusações apresentadas.
Segundo o ex-deputado, Sergio Moro teria entrado em um processo de negociação interna prolongado pela Democracia Cristã e “arrematado” o partido no Paraná, com o objetivo de garantir uma legenda para disputar o Governo do Estado.
“Moro entrou no leilão praticado pelo partido Democracia Cristã e arrematou a legenda no Paraná”, escreveu Tony Garcia.
De acordo com a denúncia, a prefeita de Clevelândia, Rafaela Martins Losi, teria sido utilizada para assumir a presidência estadual do DC. Tony Garcia também afirma que Fábio Bento Aguayo, indicado por ele como funcionário da prefeita, foi nomeado primeiro-secretário da legenda.
A transferência teria alterado o comando estadual do partido presidido nacionalmente por João Caldas e caminho aberto para que o grupo de Sergio Moro passasse a controlar as decisões do DC no Paraná.

Tentativa de retirar a candidatura
Tony Garcia também acusou Marcelo Cattani, identificado na publicação como marqueteiro de Sergio Moro, de procurar o então presidente do DC no Paraná, Ricardo Gomyde, para tentar retirar sua candidatura ao governo.
Segundo o relato, Cattani teria procurado convencer Gomyde a “vender” a candidatura de Tony Garcia e entregar a legenda ao projeto eleitoral de Moro. A proposta teria sido rejeitada pelo dirigente partidário.
“Diante da negativa de Gomyde, partiu para outras frentes”, afirmou Garcia.
Após a recusa, segundo a denúncia, o grupo teria iniciado novas articulações para afastar Tony Garcia da disputa e garantir o controle da Democracia Cristã no estado.
Acusação de ameaça a Ratinho Junior
Tony Garcia afirmou ainda que Sergio Moro e Marcelo Cattani teriam a intenção de receber ao governador do Paraná, Ratinho Junior, a responsabilidade por sua retirada da eleição.
De acordo com a publicação, o governador teria sido pressionado a interferir para impedir a candidatura de Garcia. Caso não atendesse ao pedido, teria sido ameaçado com retaliações políticas em uma eventual vitória de Moro.
A denúncia coloca o DC comandado nacionalmente por João Caldas no centro da disputa eleitoral paranaense e levanta questionamentos sobre as mudanças realizadas no diretório estadual da legenda.
Tony Garcia é empresário, ex-deputado estadual do Paraná e antigo aliado de Sergio Moro. Nos últimos anos, tornou-se um dos principais críticos do senador e passou a divulgar acusações relacionadas à atuação política e judicial do ex-juiz.
O ex-deputado pediu que o STF, o TSE e a Polícia Federal apurassem as acusações envolvendo a troca de comando da Democracia Cristã no Paraná, as articulações para retirar sua candidatura e a suposta entrega da legenda ao grupo de Sergio Moro.
Os citados têm assegurado o direito de apresentar suas versões sobre as acusações.