Vereador de RO mantém mandato após arquivamento de processo de cassação
Câmara Municipal decidiu por 8 a 7 arquivar a cassação do vereador William Cândido, acusado de crimes sexuais.
A Câmara Municipal de Ji-Paraná, no interior de Rondônia, votou pelo arquivamento de processo de cassação por quebra de decoro do vereador William Cândido (Republicanos). A decisão ocorreu durante sessão realizada na quinta-feira, 16. O parlamentar foi condenado em primeira instância em processo por crime sexual e é alvo de investigação por ato obsceno em via pública.
A votação ocorreu por 8 votos a 7. O parecer prévio, do relator Joziel Carlos de Brito (MDB), recomendou o arquivamento do processo.
Em nota, a defesa de William Cândido afirmou que o vereador tem "consciência tranquila" de não ter praticado os atos que lhe são imputados e classificou as acusações como uma perseguição política.
A defesa ressalta que a maioria dos vereadores optou por seguir a legislação municipal e respeitar a presunção de inocência do parlamentar até o trânsito em julgado.
Segundo o parecer do relator, o recurso de apelação apresentado pela defesa de Cândido foi recebido com efeito suspensivo, o que suspende a sentença até que o tribunal avalie o caso. Por isso, a Câmara não poderia tratar a condenação como definitiva.
O relator argumentou ainda que o caso já teria sido analisado e arquivado anteriormente pela Câmara com base nos mesmos fatos, o que impediria a reabertura do processo. Ele também apontou que as acusações são anteriores ao mandato atual de Cândido.
De acordo com o vereador André Moreira (PSD), esse é o terceiro pedido de cassação do parlamentar que é arquivado. Para ele, os colegas agem de forma contraditória aos princípios que pregam em público ao votar pelo arquivamento.
"Como que um vereador acusado de importunação sexual a crianças e adolescentes poderá representar a sociedade? Como ele representará a Casa junto ao Conselho Municipal das Crianças e Adolescentes?", questionou durante a sessão.
O processo de cassação analisado pela Câmara tem origem em caso envolvendo Cândido enquanto atuava como vigilante em uma instituição de acolhimento de Ji-Paraná. Durante a sessão, André Moreira caracterizou a situação como "importunação sexual a crianças e adolescentes".
Segundo decisões da Justiça Estadual, o Ministério Público de Rondônia abriu, em janeiro de 2024, procedimento para apurar irregularidades na entidade, após notícias de que o vigilante "manteria suposto relacionamento com adolescente institucionalmente acolhido". O caso baseou-se em boletim de ocorrência registrado em 29 de dezembro de 2023.
Paralelamente ao trâmite cível, Cândido, que também exercia na época o cargo de Conselheiro Tutelar, foi alvo de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que resultou na cassação de seu mandato de conselheiro em setembro de 2024. Ele foi eleito para o cargo em primeiro lugar, o mais bem votado da história do conselho em Ji-Paraná, segundo biografia publicada no site da Câmara Municipal.
Em outubro de 2025, já no exercício do mandato, Cândido foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Ji-Paraná após denúncia de uma vizinha. Ela alegou tê-lo flagrado se masturbando em via pública, além de receber mensagens de teor inconveniente enviadas pelo vereador. Ele foi encontrado pela Polícia Militar em aparente estado de embriaguez.
A Câmara Municipal chegou a emitir nota de repúdio na ocasião, classificando a conduta atribuída ao vereador como "absolutamente incompatível com a postura ética e moral esperada de um agente público" e afirmando que acompanharia os desdobramentos do caso.
Sobre essa denúncia, William Cândido classificou como uma "mentira para credibilizar a primeira". "Não existe prova das acusações, tanto que não existe materialidade para sustentar o inquérito policial que está parado desde outubro", afirmou.