Cidadania rompe o silêncio e se distancia da ofensiva judicial do PSDB de JHC contra a imprensa
Presidente da legenda em Maceió, Fátima Romar afirma que o partido rejeita tentativas de silenciamento e anuncia nota para deixar claro que não participa da estratégia jurídica adotada pelo aliado de federação
A presidente do Cidadania em Maceió, Fátima Romar, afirmou que o partido não concorda com as ações judiciais promovidas pelo PSDB contra jornalistas, veículos de comunicação, sindicalistas, blogueiros, políticos, estudantes, humoristas e outros cidadãos que abordaram o investimento de R$ 117 milhões realizado pelo Iprev Maceió no Banco Master.
A declaração expõe publicamente uma divergência dentro da federação formada por PSDB e Cidadania. Em Alagoas, o PSDB é comandado pelo ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC. A maioria das representações contra veículos de imprensa trata da questão escandalosa do IPREV e Banco Master .
Ao comentar a multiplicação de processos, Fátima Romar ressaltou que o Cidadania se considera uma legenda livre, democrática e comprometida com a liberdade de manifestação. Segundo ela, o partido não endossa iniciativas que possam ser interpretadas como tentativa de constranger ou silenciar pessoas que participam do debate público.
A posição representa um claro afastamento da estratégia adotada pelo PSDB, que tem recorrido à Justiça contra diferentes manifestações relacionadas ao Iprev Maceió e ao Banco Master.
O investimento de aproximadamente R$ 117 milhões tornou-se um dos principais temas do debate político em Alagoas. O Banco Master passou a ser alvo de investigações e questionamentos de autoridades, enquanto as circunstâncias das aplicações feitas por regimes próprios de previdência seguem sob escrutínio público.
Apesar da relevância do tema, a reação jurídica do PSDB contra críticos e comunicadores vem provocando crescente desgaste político e levantando questionamentos sobre os limites entre a legítima defesa da honra e o uso reiterado do Judiciário para retirar conteúdos de circulação ou impor penalidades a quem se manifesta sobre assuntos de interesse coletivo.
Durante a entrevista, Fátima Romar deixou claro que o Cidadania não pretende ser associado automaticamente às decisões do setor jurídico do PSDB apenas porque as duas legendas integram a mesma federação.
A dirigente anunciou ainda que o partido divulgará uma nota oficial para afirmar que não tem participação nem responsabilidade pelas ações movidas pelo PSDB.
A manifestação é politicamente relevante porque evidencia que a ofensiva judicial não encontra consenso nem mesmo dentro da própria federação partidária. Enquanto o PSDB amplia o número de demandas contra críticos, o Cidadania procura preservar sua identidade pública e se afastar de uma estratégia que já é apontada por setores da sociedade como incompatível com o ambiente democrático.
A fala de Fátima Romar também reforça uma contradição interna difícil de ignorar: duas legendas obrigadas a atuar conjuntamente no campo eleitoral demonstram posições distintas diante de um tema central para a democracia — o direito da sociedade de fiscalizar, questionar e criticar agentes públicos.
Com o anúncio da nota, o Cidadania pretende estabelecer uma linha divisória entre sua atuação política e a máquina jurídica mobilizada pelo PSDB. A mensagem é direta: a federação pode unir os partidos eleitoralmente, mas não torna o Cidadania corresponsável por uma estratégia de judicialização em série que a própria direção municipal da legenda afirma rejeitar.