Renan diz que Valdemar conhecia “proximidade tóxica” com Arthur Lira e faz alerta sobre ex-assessora
c
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a fazer duras críticas ao deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) ao comentar a investigação sobre a suposta interferência do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, na destinação de emendas parlamentares.
Em publicação feita no X, antigo Twitter, Renan afirmou que Valdemar teria sido previamente alertado sobre os riscos de sua relação política com Lira.
“Não foi falta de aviso. Valdemar Costa Neto sabia da proximidade tóxica com Arthur Lira. Não é o primeiro, nem será o último que entra pelo cano com os malfeitos no orçamento”, escreveu o senador.
Na mesma postagem, Renan mencionou Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados conhecida como Tuca e que já trabalhou na assessoria de Arthur Lira.
“A assessora, conhecida por Tuca, é nitroglicerina. Muita gente está sem dormir”, completou Renan.
Bloqueio de R$ 119 milhões
A declaração foi publicada após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinar a indisponibilidade de bens de Valdemar Costa Neto até o limite de R$ 119,2 milhões. A decisão também suspendeu a execução de despesas relacionadas a 21 emendas que estão sob investigação.
A apuração tramita na Petição 16.289 e é um desdobramento da Operação Transparência. Segundo a Polícia Federal, Valdemar, mesmo sem exercer mandato parlamentar, teria influenciado a indicação e o direcionamento de recursos do Orçamento da União. Servidores e parlamentares teriam sido utilizados para formalizar as indicações, ocultando quem efetivamente decidia os destinos e valores das emendas.
Planilhas e mensagens apreendidas pela Polícia Federal teriam identificado referências a uma cota de emendas atribuída ao dirigente partidário. Em um dos diálogos destacados pela investigação, servidores discutem se havia sido fechado o “valor do presidente Valdemar” e tratam da possibilidade de destinar R$ 24 milhões para a área do turismo.
Quem é Tuca
Mariângela Fialek, chamada de Tuca nos bastidores da Câmara, é apontada pela investigação como uma das principais personagens na operacionalização das indicações atribuídas a Valdemar Costa Neto.
Ex-assessora de Arthur Lira, ela atua há anos em setores relacionados à organização e ao processamento das emendas parlamentares. Dados extraídos de seu telefone celular ajudaram a embasar a investigação e a decisão que determinou o bloqueio dos bens de Valdemar.
A ligação profissional de Tuca com o parlamentar alagoano foi utilizada por Renan Calheiros para direcionar suas críticas a Lira. A publicação, porém, representa uma manifestação política do senador. A existência de vínculo funcional anterior entre a servidora e Arthur Lira, isoladamente, não significa responsabilidade do deputado pelos fatos atribuídos a Valdemar Costa Neto.
Defesa contesta investigação
A defesa de Valdemar afirmou ter recebido a decisão com surpresa e sustentou que o caso representaria uma tentativa de “criminalização da atividade político-partidária”. O presidente do PL também declarou não possuir patrimônio suficiente para alcançar o valor de R$ 119 milhões determinado no bloqueio.