POLÍTICA

STJ recebe inquérito sobre compra de respiradores por Rui Costa de Flávio Dino

Ministro do STF devolve investigação após apontar apenas suspeitas de crimes durante gestão na Bahia.

Por Estadao Conteudo Publicado em 09/07/2026 às 15:52
Flávio Dino © Foto / Gustavo Moreno / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou a devolução ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) do inquérito sobre desvios na compra de respiradores pelo então governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, Rui Costa .

A defesa de Rui Costa tem negado irregularidades no caso e já afirmou, anteriormente, que foi ele mesmo quem determinou a abertura de investigação para recuperação do dinheiro desviado. Procurada novamente, preferiu não se manifestar.

No mês passado, como mostrado ao Estadão , a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou o envio do caso ao STF, apontando que a ocultação dos recursos desviados na compra dos respiradores foi apresentada em curso enquanto Rui Costa era ministro.

Após o caso chegar ao STF, Flávio Dino indicou que os representantes reunidos até agora envolveram apenas suspeitas de crimes durante a gestão de Rui Costa no governo da Bahia, por isso determinou a devolução ao STJ.

“Os fatos narrados ocorreram no ano de 2020, tendo o mandato do Governador de um dos inquéritos encerrados em 2022, sem qualquer tipo de alegação de continuidade de ação delitiva enquanto estava ocupando o cargo de Ministro de Estado, aspecto este que acarretaria a competência para esta Suprema Corte”, escreveu Dino na decisão.

No início da pandemia da covid-19, quando Rui Costa chefiava o Poder Executivo da Bahia e era presidente do consórcio dos governadores do Nordeste, ele assinou um contrato de R$ 48 milhões para compra de respiradores pulmonares com uma empresa que não tinha a documentação necessária para importar os aparelhos e autorizou o pagamento adiantado. Os respiradores nunca foram entregues e o dinheiro até hoje não foi recuperado.

Uma investigação foi aberta na época pela Polícia Civil da Bahia e depois remetida ao STJ por suspeitas de participação de Rui Costa no caso. Desde então, o inquérito teve sucessivas mudanças de competência e foi arrastado sem conclusão nem recuperação dos valores. A dona da empresa Hempcare , responsável por vender os respiradores, fechou uma delação premiada e disse ter pago comissão a um lobista que se apresentou como amigo de Rui Costa.

Após deixar a gestão estadual da Bahia, Rui Costa foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Lula. Ele deixou o posto neste ano para concorrer ao Senado.

Como revelou o Estadão , parte dos valores desviados na compra dos respiradores foi parada em fundos geridos pela Reag , também suspeita de lavagem de dinheiro no caso Master.

Em sua decisão, Flávio Dino também registrou que o inquérito deve responder ao STJ caso ocorram provas de crimes cometidos por Rui Costa durante sua atuação como ministro da Casa Civil. A suspeita inicialmente pela PGR teria sido de que operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos pudessem ter ocorrido nesse período, já que o valor pago até hoje não foi recuperado.

“Sem prejuízo dessas considerações, consigno que os autos devem devolver a esta relatoria ante a superveniência eventual de qualquer elemento informativo ou prova que possa indicar, em tese, a prática de ato ilícito em razão do mandato parlamentar ou do cargo de Ministro de Estado”, escreveu Dino.