POLÍTICA

PL busca aliança com Republicanos para apoiar Flávio Bolsonaro

Partido Liberal avança nas negociações para unir forças em campanhas estaduais e na Presidência.

Por Estadao Conteudo Publicado em 09/07/2026 às 08:39
Flávio Bolsonaro Reprodução / Agência Brasil

O Partido Liberal (PL) avançou nas negociações para ter o apoio dos Republicanos à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto , e o coordenador-geral da pré-campanha presidencial, o senador Rogério Marinho (PL-RN), se reuniram nesta quarta-feira, 8, com lideranças do Republicanos para negociar uma aliança.

Os republicanos querem ter o apoio do PL em campanhas ao governo e ao Senado em alguns Estados para, em troca, se aliar a Flávio na disputa ao Palácio do Planalto. Ambas as siglas tentam chegar a algum acordo no Acre , Espírito Santo , Mato Grosso , Roraima e Minas Gerais .

Em outros Estados, as duas siglas podem caminhar separadas ou já estão juntas, como é o caso de São Paulo . O governador paulista é Tarcísio de Freitas , do Republicanos, eleito com transferência direta de votos do então presidente Jair Bolsonaro (PL) - apesar de atritos, os dois grupos políticos fazem parte da mesma aliança no Estado.

“Estamos conversando com os Estados e partidos, fazendo um trabalho que antecede a convenção, em 25 de julho, buscando ampliar primeiro o leque de apoios e depois resolver os palanques regionais”, declarou Marinho na saída da sede do PL.

O presidente dos Republicanos, Marcos Pereira , participou da rodada de conversas com os dirigentes bolsonaristas na sede do PL, em Brasília , para desatar os nós. Eles fizeram uma reunião com políticos de cada Estado para entender o que ainda trava as coligações locais.

O senador e pré-candidato ao governo estadual Allan Rick (Republicanos-AC), o deputado federal Roberto Duarte (Republicanos-AC) e a equipe do senador Márcio Bittar (PL-AC), que vão tentar a reeleição, por exemplo, conversaram no começo da tarde.

Depois, o senador Magno Malta (PL-ES) e sua filha, Maguinha Malta (PL-ES), pré-candidata ao Senado, participaram da reunião sobre o Espírito Santo.

Malta quer que, além do apoio mútuo entre candidatos do PL e dos Republicanos, haja um alinhamento de discursos, principalmente na defesa de uma anistia ampla e irrestrita aos condenados do 8 de Janeiro e no combate ao que julgam ser uma perseguição do Supremo Tribunal Federal (STF) aos conservadores.

"As conversas seguiram, as pautas andaram. Agora precisamos alinhar o discurso. O nosso discurso inclui nossos irmãos presos em 8 de Janeiro, anistia, presidente Bolsonaro, a sandice, os crimes de ditadura impostos pelo STF ao povo brasileiro. Ou a gente acampamento esse discurso ou a gente fica jogando conversa fora", disse o senador capixaba.

Para Malta, Tarcísio precisa ser o parâmetro de atuação para seus correligionários: alguém que defenda as pautas de Bolsonaro, mesmo estando num partido diferente.

Mais cedo, num evento organizado por quatro frentes parlamentares em defesa da indústria e do empreendedorismo, Valdemar disse não ter dúvidas de que partidos como PP, Republicanos e Podemos vencerão com Flávio nas eleições.

As conversas devem continuar nos próximos dias. Em 2022, Bolsonaro teve os Republicanos e o PP em sua coligação na campanha à reeleição, mas até agora Flávio não conseguiu fechar com nenhuma sigla.

Caso Michelle Bolsonaro

A vereadora de Fortaleza e vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscila Costa , também esteve na sede do partido nesta quarta-feira, onde se reuniu com a cúpula da legenda para tratar de sua situação no Ceará.

Priscila é pivô de uma crise de grandes proporções ocorrida entre as ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Flávio. Há duas semanas, a esposa de Jair Bolsonaro divulgou um vídeo com críticas ao enteado, dizendo que ele a "maltratou, desrespeitou e humilhou", em meio a divergências sobre as articulações eleitorais no Ceará.

Michelle defende lançar a candidatura de Priscila ao Senado, enquanto o deputado federal André Fernandes , que comandou o PL no Ceará, quer lançar o seu pai, o deputado estadual Alcides Fernandes , a uma das vagas abertas e reservar a outra ao indicado por Ciro Gomes , com quem eles se aliaram para derrotar o PT no Estado.

Enquanto Michelle e o grupo de André, apoiado por Flávio e Eduardo Bolsonaro , travam uma queda de braço pela influência no Ceará e pela vaga ao Senado, Marinho sugeriu que Priscila pode se candidatar a outra carga, como Câmara dos Deputados.

"A gente tem que pensar no projeto do partido. Num partido grande, como é o PL, há pretensões múltiplas em relação a diferentes cargos. Para ganhar as eleições, precisamos trazer outros partidos políticos. A aliança com Ciro está bem encaminhada. Ela (Priscila) vai concorrer, ela é candidata, não necessariamente para o Senado", disse o senador.