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Antes mesmo de chegar à feira, JHC já apresentou sua federal em Palmeira: a esposa Marina Cândia

Ex-primeira-dama de Maceió, esteve no município, concedeu longa entrevista em rádio ligada à família Caldas e deve voltar no dia 18 ao lado do marido e do vereador de Maceió Cal Moreira, pré-candidato a estadual

Por Redação Publicado em 09/07/2026 às 08:00
Marina Cândia lançou pré-candidatura à Câmara Federal em Maceió e esteve em Palmeira dos Índios antes da visita de JHC à feira livre, articulada por Cal Moreira

A movimentação política do ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, João Henrique Holanda Caldas, o JHC, em Palmeira dos Índios começa a revelar mais do que uma simples visita ao município. Antes mesmo de pisar oficialmente na feira livre da cidade no próximo dia 18, conforme anunciou o vereador Cal Moreira, JHC já sinaliza quem deve ser sua aposta para deputada federal na região: a própria esposa, Marina Cândia, ex-primeira-dama de Maceió.

Marina lançou, no último sábado, em Maceió, sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados, durante ato no bairro do Jaraguá. A agenda marcou o início da mobilização política em torno de seu nome para as eleições de 2026, segundo publicações da imprensa alagoana.

Na semana passada, Marina esteve em Palmeira dos Índios. Durante a passagem pelo município, participou de uma longa entrevista na Rádio Farol FM, emissora historicamente ligada ao universo político da família Caldas. Em 2020, reportagem do CadaMinuto registrou que ação eleitoral daquele ano apontava as rádios Francês FM e Farol FM como emissoras pertencentes à Fundação Quilombo, constituída no passado pelo pai de JHC, o ex-deputado João Caldas.

A entrevista, pelo tempo e pelo tom, foi vista por observadores locais como uma espécie de palanque antecipado em espaço radiofônico. O ponto sensível não é Marina falar. Qualquer pré-candidata pode conceder entrevistas, apresentar ideias e circular pelo Estado. A questão política é outra: quando a esposa do pré-candidato ao governo usa uma emissora ligada ao grupo familiar para falar por mais de uma hora em município estratégico, o gesto deixa de ser apenas comunicação e passa a ser parte da engenharia eleitoral.

Marina deve retornar a Palmeira no dia 18, mesma data em que JHC combinou com o vereador de Maceió para estar na feira livre da cidade. A visita foi anunciada por Cal Moreira, que é natural de Palmeira dos Índios, mas construiu sua carreira política na capital. A própria Câmara de Maceió informa que Cal Moreira está no segundo mandato como vereador por Maceió e nasceu em Palmeira, tendo ido para a capital ainda criança.

Nos últimos meses, Cal Moreira passou a frequentar com mais intensidade a zona rural, comunidades e feiras livres de Palmeira. Também tem reforçado a narrativa de origem humilde, lembrando que foi menino pobre e que trabalhou carregando mercadorias nas feiras. O discurso busca reconectar o vereador à terra natal justamente no momento em que ele se coloca como pré-candidato a deputado estadual e se assemelha ao discurso semelhante de Julio César, o imperador, ex-prefeito da cidade tornando-se uma espécie de reprise eleitoral.

O desenho político do vereador começa a ficar claro: JHC para o governo, Marina Cândia para federal e Cal Moreira para estadual. Uma dobradinha montada de fora para dentro, usando Palmeira como base simbólica e eleitoral.

O problema é que Palmeira dos Índios não é terra sem dono político. O município tem história, lideranças próprias, memória eleitoral e eleitorado acostumado a desconfiar de projetos que aparecem apenas em véspera de eleição. Até agora, as lideranças locais que eventualmente possam apoiar JHC ainda não apareceram com força nas redes sociais. Não se sabe se estão acanhadas, aguardando o fechamento dos compromissos eleitorais antes de aparecer ao lado do ex-prefeito de Maceió, coisa que nos bastidores arranca comichão, pela falta deles ou ainda se a coordenação da agenda prefere evitar desgastes com nomes locais que possam carregar rejeição.

Nos bastidores, comenta-se que JHC costuma medir cenários por pesquisas. Se isso se confirmar em Palmeira, a ausência de lideranças locais na linha de frente pode ser cálculo: testar o ambiente primeiro, avaliar quem soma e quem atrapalha depois, afinal ele já se pronunciou em passado recente, que não gosta de “grupos…