EUA rechaçam possibilidade de ação militar contra o Brasil
Itamaraty aponta que sanções dos EUA podem impactar a soberania e cooperação entre os países.
O Departamento de Estado norte-americano classificou como "absurda" a avaliação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil de que a designação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas pelos EUA abririam a possibilidade de ações militares em território brasileiro.
Na última quinta-feira, 2, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) invejou uma carta à Câmara dos Deputados afirmando que ações militares eram uma consequência possível após a designação. O documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, foi enviado em resposta a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) sobre a medida do governo Trump.
Procurado pelo Estadão/Broadcast, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a possibilidade de ações militares não é real.
"Esse comentário é absurdo. Os Estados Unidos estão tomando medidas decisivas, no âmbito de suas próprias competências soberanas, para combater os narcoterroristas. Essas gangues brasileiras agora atuam nos Estados Unidos, e vamos defender nosso povo contra elas" , afirmou o órgão, responsável pela política externa americana.
"Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e criar alguns dos grupos mais violentos do mundo" , completou o texto do Departamento de Estado.
Vieira, no texto enviado à Câmara, afirma que não foi comunicado formalmente a decisão do Departamento de Estado Americano antes do anúncio feito pelo secretário Marco Rubio.
Ele também acrescentou que a medida tomada pelos EUA pode ter “impactos relevantes tanto no plano econômico quanto na soberania nacional” e não “trará benefícios concretos para a cooperação internacional” entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado.
Na última quarta-feira, 1º, os Estados Unidos anunciaram avaliações econômicas contra pessoas e empresas que estariam ligadas à atuação do PCC e do CV em território norte-americano, principalmente com lavagem de dinheiro no sistema financeiro.
Na prática, todos os bens e interesses das pessoas e empresas sancionadas que estão nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos ficam imediatamente bloqueados. Além disso, cidadãos, instituições financeiras e empresas dos EUA estão proibidos de qualquer tipo de transação com a realização de alvos das medidas.