CASO IPREV MACEIÓ/BANCO MASTER

Ronnie Mota vai suportar sozinho o peso dos R$ 117 milhões do Iprev no Banco Master?

Ex-presidente do instituto aparece no centro da operação, mas a cadeia de decisões envolve consultoria, comitê de investimentos, gestão municipal e suspeitas que ainda precisam ser esclarecidas

Por Redação Publicado em 07/07/2026 às 10:45
Ronnie Mota, ex-presidente do instituto, pode explicar como foi a operação dos R$ 117 milhões dos servidores de Maceió foram parar no Banco Master Reprodução

A pressão sobre Ronnie Reyner Teixeira Mota , ex-presidente do Iprev de Maceió, aumenta à medida que avançam as cobranças sobre a aplicação de R$ 117 milhões do fundo previdenciário dos servidores municipais no Banco Master .

Ronnie comandou o instituto no período em que o investimento foi realizado e, por isso, passou a ser tratado como personagem central do caso. Mas a pergunta que agora cresce nos bastidores políticos, jurídicos e administrativos é outra: ele suportará sozinho o peso de uma operação desse tamanho?

A resposta não parece simples.

O investimento feito pela Iprev não foi uma operação de qualquer natureza. Envolveu dinheiro previdenciário, recursos garantidos ao futuro de aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió. Também estudamos análise de risco, pareceres, reuniões, comissão de investimentos, consultoria especializada e decisões administrativas que, em tais casos, não deveriam depender da vontade isolada de uma única pessoa.

Por isso, a tentativa de concentrar toda a responsabilidade em Ronnie Mota pode ser vista como uma saída conveniente para alguns setores. Ele estava no cargo, presidência do instituto e certamente tem muito a explicar. Mas uma aplicação milionária dessa natureza dificilmente nasce, caminha e se consolida sem a participação de outros agentes.

A própria Comissão de Assuntos Econômicos do Senado passou a mirar a chamada cadeia de decisões do investimento. Além de Ronnie Mota, também entram no radar outros atores da gestão do IPREV/MACEIÓ, como Renan Calamia , executivo da consultoria Crédito e Mercado, justamente para esclarecer quem recomendou, quem avaliou os riscos e quem autorizou a aplicação dos recursos no Banco Master.

Esse é o ponto mais delicado do caso. Se havia uma consultoria contratada, se havia comissão de investimentos, se havia conselho, se havia secretaria municipal acompanhando a saúde financeira do município e se havia uma política de gestão no comando da Prefeitura, por que apenas o ex-presidente do Iprev deveria carregar sozinho o peso do desastre?

A operação também está cercada por suspeitas. A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal abertura de investigação específica sobre o aporte de R$ 117 milhões do Iprev ao Banco Master, com apuração sobre possíveis irregularidades no processo de autorização de investimento. Segundo informações divulgadas pelo Vero Notícias e repercutidas por outros veículos, há suspeitas decorrentes da própria decisão transferida ao conselho do instituto.

Outro ponto que aumenta a gravidade é a atuação da consultoria Crédito e Mercado. Reportagem do Metrópoles informou que a empresa assessorou o Iprev de Maceió na aplicação de R$ 117 milhões em letras financeiras do Banco Master e que a consultoria também está na mira da Polícia Federal por sua atuação em aplicações de institutos de previdência.

Diante desse quadro, Ronnie Mota pode até ser o homem que sabe muito. Talvez saiba o suficiente para explicar como o Banco Master entrou no caminho do dinheiro da previdência municipal. Talvez saiba quem apresentou a operação, quem defendeu a aplicação, quem assinou o parecer, quem participou das reuniões e quem deu a palavra final.

Mas justamente por saber muito, Ronnie também pode se transformar numa bomba-relógio.

Se ficar calado, pode acabar sendo tratado como o responsável principal por uma operação que parece ter passado por várias mãos. Se falarmos, podemos revelar que o investimento mal sucedido não foi uma decisão solitária, mas resultado de uma participação maior, com participação técnica, administrativa e política.

Mas permanece a pergunta: é crível que R$ 117 milhões tenham sido aplicados sem conhecimento, influência ou acompanhamento de outros setores do IPREV?

Essa é a pergunta que o Senado, a Polícia Federal, a Justiça e a sociedade precisam responder.

Ronnie Mota tem explicado a dar. Isso é evidente. Mas o caso não pode terminar com a escolha de um único personagem para absorver todo o impacto político e administrativo de uma decisão tão grave.

O dinheiro era dos servidores.
A aplicação foi milionária.
O banco entrou em colapso.
As suspeitas existem.
E a sociedade quer saber quem participou de cada etapa.

Ronnie pode ser porta de entrada para a verdade. Mas dificilmente será a única porta.

Afinal, se o investimento foi mal sucedido, cheio de pontos nebulosos e cercado por suspeitas, a responsabilidade precisa subir a escada inteira: de quem indicou, de quem avaliou, de quem recomendou, de quem autorizou e de quem tinha poder político para impedir ou permitir que o dinheiro da previdência parasse no Banco Master.