EDUCAÇÃO

Estudantes poderão ter licença menstrual por endometriose ou adenomiose

Projeto aprovado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher garante afastamento de até três dias mensais com laudo médico.

Por Câmara dos Deputados Publicado em 06/07/2026 às 10:22
Licença menstrual para estudantes com endometriose é aprovada pela Câmara dos Deputados. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou projeto que institui o direito à licença menstrual de três dias por mês para estudantes com dores graves e incapacitantes provocadas por endometriose ou adenomiose.

O benefício valerá para alunos matriculados em instituições de ensino público ou privado, em todos os níveis e modalidades de ensino.

As faltas durante a licença não serão contabilizadas para fins de frequência mínima nem poderão prejudicar a avaliação de rendimento escolar do estudante.

Mudanças no texto original
Os deputados aprovaram o Projeto de Lei 1919/25, da deputada Dayany Bittencourt (União-CE), com emenda da Comissão de Educação.

A emenda estabelece que a solicitação da licença deverá ser acompanhada de laudo médico que ateste o diagnóstico do estudante. O documento não precisa ser renovado mensalmente.

A proposta ainda exige que as instituições de ensino:

  • promover ações de acolhimento e orientação sobre saúde menstrual e direitos dos estudantes;
  • oferecer formas flexíveis de oferta de conteúdos e avaliações; e
  • assegurar o sigilo médico e o respeito à dignidade dos estudantes beneficiados.

Permanência na escola
Para a relatora, deputada Silvye Alves (União-GO), o texto garante a permanência dos estudantes no sistema educacional sem punições por ausências decorrentes de condições médicas comprovadas.

“Ao prever ações de recepção, orientação e orientação de conteúdos, o projeto favorece a construção de ambientes educacionais mais inclusivos, humanizados e comprometidos com a igualdade de oportunidades”, disse.

O que é
A endometriose é uma doença crônica que ocorre quando células do revestimento interno do útero (endométrio) crescem fora da cavidade uterina. Os sintomas mais frequentes são sangramentos excessivos e cólicas menstruais intensas.

A adenomiose acontece quando o endométrio se desenvolve no miométrio (músculo do útero).

Próximos passos
A proposta ainda será comprovada, em caráter conclusivo , pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para mudar a lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.