MINISTRO REITERA COMPROMISSO DO BRASIL COM NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS.

Ministro do Desenvolvimento destaca insistência em negociações com os EUA

Márcio Elias Rosa reforça a importância de evitar taxações sobre produtos brasileiros.

Por Agência Brasil Publicado em 02/07/2026 às 15:18
Márcio Elias Rosa afirma que Brasil não abandonará negociações com EUA sobre taxação.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil corre contra o tempo e vai insistir na negociação com o governo dos Estados Unidos para evitar sofrer taxação extra de produtos brasileiros vendidos para os americanos.

Segundo Márcio Elias, o governo deve atuar com firmeza, seguindo a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após o encontro, o ministro manifestou preocupação com o prazo para se chegar a um acordo.

“O tempo corre contra porque o prazo é 15 de julho”, ressaltou, sobre o início da cobrança, acrescentando que algumas questões “poluem o debate”.

Perguntado sobre quais questões, ele respondeu, sem citar nomes, a articulação de integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

“O exemplo pode ser também a publicação por quem estava nos Estados Unidos, um ex-deputado federal, se dizendo autor, patrocinador do tarifaço. Ao mesmo tempo, alguém aqui no Brasil celebrando nas redes sociais o fato de ter sido imposto”, citou.

A referência é aos filhos do ex-presidente, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, e ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.

Segundo o ministro, eles não são “capazes de causar algum alvoroço, mas poluem o debate político ou introduzem no debate, que é econômico e comercial, um componente político que não deveria estar”.

“Não cabe na mesa de negociação da economia, do comércio bilateral, questões ideológicas, eleitoreiras, pessoalmente oportunistas, isso não tem cabimento”, afirmou.

As declarações de Márcio Elias vieram após sua participação no 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

O ministro atrasou seu discurso no evento por causa da reunião com os americanos. Segundo ele, esta foi a quarta reunião de alto nível para tratar do tema com o governo estrangeiro, além de outras oito de nível técnico.

Sobre a reunião virtual desta quinta-feira, Márcio Elias informou que foram discutidos temas como a aproximação das polícias brasileiras e americanas no combate ao crime organizado transnacional, lavagem de dinheiro e a questão de imigração.

Houve também conversas sobre a atração de data centers (servidores digitais) e proteção de patentes. “O Brasil já atua no padrão internacional”, sustentou.

A USTR divulgou, no início de junho, a orientação de taxar o Brasil, como resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

O governo Trump acusou o Brasil de concorrência desleal no comércio internacional, citando o Pix como uma das práticas prejudiciais. O Brasil rebateu essas acusações.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, que participou do encontro no BNDES, refutou outros motivos alegados para taxação, como desmatamento e comércio ilegal de madeira.

Segundo ele, o desmatamento está controlado e o país tem uma rede de rastreamento que impede a exportação de madeira ilegal.

“O Ibama libera a exportação verificando toda essa cadeia de custódia, todo o processo regulamentado, registrado”, certificou Capobianco.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, comentou sobre uma carta pública enviada pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao pré-candidato Flávio Bolsonaro, agradecendo pelo convite para colaborar com a equipe de transição de governo, em uma eventual vitória eleitoral em outubro.

“São informações do Estado brasileiro, de estratégia, de desenvolvimento, da defesa, de tecnologia, da área de energia”, concluiu Mercadante. “É uma afronta à soberania e aos interesses nacionais”, finalizou.