Boulos considera justas críticas de Erika Hilton sobre fundo eleitoral do PSOL
Ministro afirmou que a deputada e outros parlamentares receberam recursos abaixo do papel que desempenham na chapa
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira, 30, que considera "muito justas" as críticas feitas publicamente pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) à direção do PSOL sobre a distribuição do fundo eleitoral entre candidatos do partido.
A declaração foi dada durante o programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov, da EBC. Segundo Boulos, Erika e outros parlamentares receberam valores que, na avaliação dele, não correspondem ao peso eleitoral que possuem na chapa.
"Achei muito justas as críticas colocadas pela Erika Hilton, assim como outros parlamentares, que tiveram um fundo eleitoral que não é proporcional ao papel que têm na chapa para poder puxar votos e poder garantir vitórias para o partido. Agora, não estou envolvido no debate interno partidário. Meu foco está para ajudar o governo do presidente Lula nesta reta final", disse.
Na semana passada, Erika Hilton reclamou publicamente dos recursos destinados pela direção partidária à sua campanha. A deputada não citou valores, mas integrantes do PSOL afirmaram, nas redes sociais, que o montante seria de cerca de R$ 2 milhões para sua candidatura à reeleição.
Erika disse que "o PSOL precisa cumprir os acordos que fez conosco. E não está cumprindo. Está rasgando nossos combinados e praticamente nos inviabilizando". Ela acusou a direção do partido de favorecer outros correligionários por "privilégio branco e cis", citando o presidente da federação PSOL-Rede, Juliano Medeiros, e a pré-candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Manuela D'Ávila.
"É um absurdo que a direção partidária feche os olhos para essa realidade. Hoje, Juliano Medeiros, presidente da Federação PSOL-Rede, em sua primeira candidatura, teria exatamente a mesma prioridade que eu.
Manuela D'Ávila, que acabou de chegar ao partido, tem previsão de receber mais que o dobro. Respeito a trajetória deles e adoraria vê-los eleitos, mas isso é o privilégio branco e cis sobrepondo tudo: os acordos feitos conosco, cálculos eleitorais sérios", afirmou Erika.