POLÍTICA

Boulos acusa Flávio Bolsonaro de favorecer EUA em debate sobre minerais críticos

Ministro da Secretaria Geral da Presidência criticou a proximidade do senador com o governo de Donald Trump durante programa do Canal Gov

Por Estadao Conteudo Publicado em 30/06/2026 às 09:29
Boulos

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira, 30, que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “quer entregar de bandeja para os americanos” o acesso e a exploração de terras raras e minerais críticos no Brasil.

A declaração foi dada durante o Bom Dia, Ministro , programa do Canal Gov, da EBC. Ao longo da entrevista, Boulos fez críticas à proximidade de Flávio Bolsonaro com o governo de Donald Trump e disse que o senador está "se curvando e se humilhando" para o norte-americano.

"O que mais me deixa perplexo é ver brasileiro eleito pelo povo brasileiro se curvando e se humilhando para o Donald Trump. Aquela carta em que o Marco Rubio (secretário de Estado dos EUA) agradece pelo Flávio ter se colocado à disposição em um governo de transição. Ele (Flávio) está colocando uma instituição brasileira a serviço dos interesses dos americanos. Se ele fosse dos EUA, estaria preso por traição à pátria", afirmou o ministro.

"O que você acha que está no jogo? É para os EUA poder tratar dos direitos humanos do Brasil? O que está no jogo se chama minerais críticos e terras raras, que ele (Flávio) quer entregar de bandeja para os americanos", disse Boulos.

Questionado sobre vitórias recentes de líderes de direita na América do Sul, especificamente no Peru e na Colômbia, o ministro afirmou que diferenças ideológicas entre presidentes do continente "sempre existiram". Ele, no entanto, apontou a defesa da soberania local como possível ponto de convergência.

"A despeito de diferenças políticas dos governantes da América do Sul, que sempre existem, nós temos uma ameaça neocolonial vinda da maior potência do planeta (os EUA) que é brutal. Para além de questões partidárias, temos uma questão de soberania. Isso precisa unificar o continente", declarou.

Apesar da fala do ministro, diversos países sul-americanos manifestaram alinhamento com os EUA após a eleição de líderes de direita. O texto cita como exemplo a relação de Javier Milei, presidente da Argentina, com Trump. O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, também já demonstrou interesse em uma relação próxima com o norte-americano.