COMÉRCIO EXTERIOR

Itamaraty rebate Flávio Bolsonaro e cobra desculpas por tarifas dos EUA

Ministério afirmou que atua por canais diretos com Washington e disse que audiências da Seção 301 são voltadas ao setor privado e à sociedade civil

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 21:19
Flávio Bolsonaro © Folhapress / Mateus Bonomi

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota nesta quarta-feira, 24, em resposta às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, sobre a ausência de representantes do governo brasileiro na audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, marcada para 6 de julho, que discutirá a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.

Sem citar o parlamentar nominalmente, o Itamaraty afirmou que a origem do tarifaço está relacionada a uma "tentativa de interferência externa na justiça brasileira". A pasta também destacou que as audiências públicas sobre a Seção 301 são espaços de participação do setor privado e da sociedade civil.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, nem a China nem a União Europeia enviam representantes a esse tipo de reunião. O órgão afirmou ainda que os "traidores da Pátria" devem desculpas ao Brasil pelas tarifas.

"O governo brasileiro tem participado ativamente nessa investigação pelos canais diretos de interlocução entre governos, desde sua abertura em 15 de julho de 2025. Apresentou duas defesas escritas demonstrando que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos e realizou reunião de consultas governamentais com os EUA, em Washington, com delegação de alto nível. O que os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros", diz o texto, publicado no X.

Nesta terça-feira, 23, Flávio Bolsonaro confirmou que se inscreveu para participar da audiência nos Estados Unidos, com um requerimento de depoimento oral de cinco minutos. Ao mesmo tempo, criticou o governo por não enviar representantes e alegou suposta omissão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Os Estados Unidos abriram uma audiência pública para discutir as tarifas sobre os produtos brasileiros. O prazo para contestação se encerrava ontem. E adivinha? É claro que esse governo incompetente ficou de braços cruzados", declarou.

Flávio Bolsonaro acrescentou: "O tarifaço sustenta essa falsa narrativa de defesa da soberania do Lula, em pleno ano eleitoral. Mas, para a tristeza da companheirada, eu adianto aqui: esse truque não vai funcionar, porque, ao contrário do Lula, que joga contra o Brasil e só se preocupa em atacar o Neymar, eu me inscrevi para participar dessa audiência pública nos Estados Unidos e representar os interesses do nosso País mais uma vez".

No início deste mês, o USTR sugeriu duas novas tarifas contra o Brasil. Uma delas, de 25%, é justificada por supostas práticas desleais brasileiras e envolve temas como o Pix e desmatamento. A outra, de 12,5%, engloba outros 60 países e a União Europeia e seria uma resposta à facilitação de entrada e saída de produtos elaborados a partir de trabalho forçado.