POLÍTICA

Jaques Wagner anuncia saída da liderança do governo no Senado

Senador do PT-BA comunicou decisão após encontro com Lula e disse que vai priorizar sua defesa nas investigações da Polícia Federal

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 20:47
Jaques Wagner

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou, nesta quarta-feira, 24, que deixará a liderança do governo no Senado. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio da Alvorada, em Brasília.

A saída ocorre dias depois de buscas realizadas pela Polícia Federal, em 18 de junho, no âmbito das investigações relacionadas ao caso do Banco Master.

Wagner comunicou a decisão por meio de nota publicada no X. No texto, o senador afirmou que pretende concentrar esforços em sua defesa diante dos indícios apontados pela Polícia Federal. Ele também disse que a conversa com Lula ocorreu “entre amigos” e que ambos chegaram a um entendimento comum.

“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, declarou Jaques Wagner no X.

As lideranças do governo têm a função de representar os interesses do Poder Executivo no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados, o líder do governo é o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Com a saída de Wagner, o governo deverá indicar um novo nome para a liderança no Senado.

Na semana passada, Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do petista no esquema. A Polícia Federal suspeita que o senador tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somariam R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

Em nota, Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira durante seu mandato parlamentar. Sobre o imóvel citado pela Polícia Federal, o senador afirmou que ele não integra seu patrimônio.

Conforme o Broadcast Político havia mostrado, Lula se irritou com Wagner depois de o senador afirmar à BandNews que havia conversado com o presidente da República após a operação da Polícia Federal. Na ocasião, Wagner disse que recebeu apoio de Lula.

O Estadão também mostrou que a campanha de Lula avaliou que a operação contra Wagner atingiu o presidente ao trazer de volta ao eleitorado a associação do PT a escândalos de corrupção como o mensalão e o petrolão.

O presidente do PT, Edinho Silva, o PT da Bahia e parlamentares da bancada petista defenderam a presunção de inocência de Wagner. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também defendeu o trânsito em julgado.

Jaques Wagner é um dos aliados políticos mais antigos de Lula em Brasília. Os dois são amigos desde a década de 1970 e têm origem no movimento sindical: Lula, entre os metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), e Wagner, entre os trabalhadores da indústria petroquímica da Bahia.

Wagner foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula. Em 2006, foi eleito governador da Bahia e, em 2010, conquistou a reeleição. Em 2014, conseguiu eleger seu sucessor, Rui Costa.

O senador também foi ministro da Casa Civil da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2016, chegou a entregar o cargo para que Lula fosse nomeado em seu lugar, mas a posse foi impedida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).