SUPREMO

Fachin consulta área técnica antes de definir relatoria de investigação sobre Dark Horse

Caso envolve dinheiro enviado por Flávio Bolsonaro para filme inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro

Por Estadao Conteudo Publicado em 24/06/2026 às 16:39
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin © Foto / Rosinei Coutinho / STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitou uma análise da área técnica antes de decidir se a investigação sobre o dinheiro enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o filme Dark Horse ficará sob relatoria de André Mendonça ou de Alexandre de Moraes.

Em despacho publicado nesta quarta-feira, 24, Fachin pediu que a Coordenadoria de Processamento Inicial da Secretaria Judiciária preste esclarecimentos sobre os critérios usados na distribuição dos processos.

O caso chegou a Moraes depois que ele recebeu uma notícia-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar pediu a ampliação do escopo do inquérito que mirava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), relatado por Moraes, para incluir a conduta de Flávio Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro foi condenado na semana passada por suposta coação no curso do processo e obstrução à Justiça no julgamento da trama golpista que tinha como líder o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai.

A definição sobre a relatoria passou a ser analisada por Fachin após pedido de Moraes. Em manifestação enviada ao Supremo na última segunda-feira, 22, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que a investigação seja redistribuída ao ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.

O pedido de Lindbergh foi feito depois que o site The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro solicitou ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme inspirado na trajetória do pai. Segundo o texto original, cerca de R$ 61 milhões foram pagos e enviados a um fundo ligado a Eduardo nos Estados Unidos.

A suspeita é de que o dinheiro tenha sido usado para bancar a atuação do ex-deputado contra autoridades brasileiras. Após receber a notícia-crime, Moraes encaminhou a petição para análise da PGR.

Ao avaliar o pedido do deputado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o episódio “já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, que tramita sob a supervisão do eminente Ministro André Mendonça”.