Comissão da Câmara aprova plataforma para integrar universidades e pequenos municípios
Texto cria repositório nacional de soluções para municípios de até 50 mil habitantes e ainda será analisado por outras comissões
A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que cria a Plataforma de Integração de Municípios e Universidades, a PLIMU. A proposta busca aproximar municípios de universidades e centros de pesquisa para desenvolver soluções em áreas como saúde, educação, infraestrutura e gestão pública, além de promover a capacitação de gestores.
O texto aprovado é um substitutivo do relator, deputado David Soares (Pode-SP), ao Projeto de Lei 4671/24, de autoria do deputado Adriano do Baldy (PP-GO).
Na versão original, a PLIMU seria criada como uma estrutura própria, coordenada por um comitê nacional formado por representantes do governo federal, de associações de municípios e de universidades e centros de pesquisa. O relator, no entanto, decidiu incorporar a iniciativa à Lei de Inovação (Lei 10.973/04), utilizando a estrutura já existente de incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.
Com a alteração, a plataforma deixa de ser um programa autônomo e passa a funcionar como um repositório nacional de soluções desenvolvidas por universidades e instituições de pesquisa para atender demandas de municípios com até 50 mil habitantes.
David Soares citou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais municípios de pequeno porte concentram alguns dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. Para o relator, fatores como isolamento geográfico, baixa oferta de serviços públicos e limitada capacidade de investimento dificultam o acesso dessas localidades a inovações.
“É necessário aproximar a identificação dos problemas enfrentados pelos municípios das instituições capazes de desenvolver soluções para essas realidades”, argumentou o parlamentar.
Divulgação obrigatória
De acordo com a proposta, produtos e serviços desenvolvidos com recursos da União deverão ser cadastrados obrigatoriamente na plataforma. Nos demais casos, a divulgação será facultativa.
O texto também prevê que instituições científicas, tecnológicas e de inovação que desenvolvam soluções para municípios comuniquem esses projetos ao gestor da plataforma. Quando os contratos permitirem, os resultados deverão ser disponibilizados para consulta.
Próximos passos
A proposta tramita em caráter conclusivo e ainda será analisada pelas comissões de Educação; Desenvolvimento Urbano; Finanças e Tributação; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.