Haddad afirma que Jaques Wagner agiu para barrar interesses do Banco Master
Ex-ministro disse à Folha que pode depor sobre atuação do senador contra a chamada “Emenda Master”
Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, defendeu o senador Jaques Wagner (PT), alvo de investigação na Operação Compliance Zero, que apura fraude financeira envolvendo o Banco Master.
Em declarações à Folha de S.Paulo, Haddad afirmou que pode atestar pessoalmente a atuação de Wagner no Senado para bloquear interesses da instituição financeira. A Polícia Federal (PF) investiga se o senador utilizou sua atividade parlamentar para favorecer o Banco Master.
Segundo Haddad, ele pediu a Wagner que orientasse a bancada a votar contra a chamada “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O ex-ministro também afirmou estar à disposição para prestar depoimento sobre o caso, se necessário.
A manifestação de Haddad segue a linha adotada pela defesa de Jaques Wagner. Na segunda-feira, 22, o senador recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a operação de busca e apreensão realizada em suas moradias. A defesa sustenta que houve “erros graves” na ação.
Em nota, o gabinete do senador também declarou que Jaques Wagner se posicionou contra a “Emenda Master”.
A declaração representa uma mudança de tom em relação à postura adotada por Haddad logo após a operação. Na ocasião, ele disse esperar que a Justiça fosse feita e lamentou a possibilidade de que “uma pessoa próxima” tivesse cometido algum erro.
A Operação Compliance Zero investiga fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia, além dos vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação de Wagner no esquema. A PF suspeita que o senador tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões em Salvador e pagamentos de propina que somam R$ 3,5 milhões.