JUSTIÇA

Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu em ação sobre rachadinha

Denúncia do MP-RJ aponta suposta devolução ilegal de salários que teria movimentado cerca de R$ 1,9 milhão

Por Estadao Conteudo Publicado em 22/06/2026 às 14:29
Carlos Bolsonaro

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou, na última semana, denúncia do Ministério Público e tornou réu Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC). Fernandes é suspeito de comandar um esquema de “rachadinha” na Câmara Municipal do Rio. Outras seis pessoas, que atuaram como ex-assessores, também se tornaram rés. Carlos Bolsonaro não está entre os acusados.

Os sete réus respondem pelos crimes de organização criminosa e peculato. Segundo o MP-RJ, o grupo participava de um esquema de devolução ilegal de parte dos salários de servidores ao responsável pelas nomeações, Jorge Luiz. A suposta fraude teria movimentado cerca de R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021. As informações são da GloboNews.

Na decisão, a Justiça destacou que “a investigação apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro” e que “a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada”.

Os acusados têm prazo de dez dias para apresentar defesa por escrito. A etapa seguinte será o agendamento dos depoimentos de testemunhas pelo juiz responsável pelo caso, que tramita na 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa.

A denúncia do Ministério Público foi apresentada em setembro de 2024. Na ocasião, o MP arquivou as apurações contra Carlos Bolsonaro por entender que não havia elementos suficientes para acusá-lo criminalmente. Carlos, que exerceu mandato na Câmara Municipal do Rio por sete legislaturas consecutivas, deixou o cargo de vereador no fim de 2025.

De acordo com a GloboNews, o caso foi reaberto pelo Ministério Público no início do ano passado, após o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordar dos argumentos apresentados para o arquivamento e enviar os autos para análise da Procuradoria-Geral de Justiça. A investigação ainda está em andamento.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Carlos Bolsonaro transferiu o domicílio eleitoral e é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina. A pré-candidatura foi lançada em evento com a presença do irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas enfrenta resistência dentro do próprio PL no Estado.

Como mostrou o Estadão, a chegada do ex-vereador do Rio ao cenário catarinense irritou lideranças locais, como a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL), e quase desmantelou a chapa montada no Estado. O senador Esperidião Amin (PP) deveria concorrer com apoio dos bolsonaristas, mas acabou rifado da aliança com a imposição da família Bolsonaro. O partido definiu Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carol de Toni como nomes para disputar as duas vagas abertas ao Senado.