Mapa dos cargos: documento atribui mais de 1,3 mil nomeações a grupo político ligado a JHC
Documento atribuído a interlocutores políticos aponta suposta destinação de centenas de cargos a lideranças aliadas; informações ainda não foram confirmadas oficialmente pelos envolvidos
Um documento que circula nos bastidores da política alagoana e cuja autenticidade ainda não foi oficialmente confirmada pelos órgãos públicos ou pelos citados aponta uma suposta distribuição de cargos na estrutura administrativa da Prefeitura de Maceió a lideranças políticas de diversas regiões do Estado.
Segundo as informações que chegaram à reportagem, as nomeações teriam beneficiado vereadores, ex-prefeitos, deputados e outras lideranças ligadas ao grupo político do ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, JHC (PSDB).
Nos bastidores da capital, a divulgação do material teria provocado desconforto entre integrantes da base política municipal. Relatos obtidos pela reportagem indicam que vereadores e lideranças locais teriam manifestado insatisfação com a alegada destinação de espaços administrativos a grupos políticos de municípios do interior.
As informações atribuídas à denúncia sustentam que a articulação política relacionada às nomeações teria contado com a participação de interlocutores ligados ao grupo do ex-prefeito. Não há, até o momento, confirmação oficial sobre a existência de eventual coordenação formal dessas indicações.
O documento menciona números de cargos supostamente vinculados a diversas lideranças políticas alagoanas. Entre os nomes citados estariam o deputado federal Marx Beltrão, o vereador Kelmann Vieira, o ex-vereador Francisco Sales, o ex-prefeito de Canapi Celso Luís, o deputado estadual Gilvan Barros, o prefeito de União dos Palmares, Kil Freitas, além da ex-primeira-dama Marina Cintra e da ex-primeira-dama de Teotônio Vilela, Izabele Alcântara.
A relação também faz referência a supostas indicações ligadas a grupos políticos de municípios como Palmeira dos Índios, Delmiro Gouveia, São José da Tapera, Poço das Trincheiras, Maribondo, Anadia e outras cidades do interior.
De acordo com relatos obtidos pela reportagem, parte dessas nomeações teria sido associada, por interlocutores políticos, a acordos e composições construídos durante o processo de formação de alianças para as eleições de 2026. Não há, entretanto, documentação pública apresentada até o momento que comprove eventual vínculo entre apoio político e ocupação de cargos.
Outro aspecto mencionado no material diz respeito à remuneração de parte dos cargos, que, segundo a denúncia, teriam vencimentos em torno de R$ 6 mil mensais. O documento também sugere que algumas nomeações poderiam estar vinculadas a cargos de natureza temporária, hipótese que igualmente carece de confirmação oficial.
Até o momento, não há notícia de instauração pública de procedimento investigatório relacionado especificamente ao conteúdo da denúncia. Caso os fatos sejam formalmente levados aos órgãos de controle, caberá às instituições competentes analisar a legalidade da criação, ocupação e destinação dos cargos eventualmente mencionados no documento.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestações da Prefeitura de Maceió, do ex-prefeito JHC, das lideranças citadas e de quaisquer outros mencionados no material. Eventuais esclarecimentos ou posicionamentos serão publicados tão logo sejam encaminhados.