ELEIÇÕES

Flávio Bolsonaro diz esperar recuperar votos após ação da PF contra Jaques Wagner

Pré-candidato pelo PL comentou o caso Banco Master, o áudio revelado pelo The Intercept Brasil e a prestação de contas do filme “Dark Horse”.

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/06/2026 às 16:16
Jaques Wagner

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista ao SBT News nesta sexta-feira, 19, que acredita poder reconquistar votos perdidos após a operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A declaração ocorre em um momento em que pesquisas eleitorais indicam maior vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno.

Pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio também comentou as revelações envolvendo seu nome no caso do Banco Master. O site The Intercept Brasil divulgou um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para bancar a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”.

"Se a lógica serve para justificar uma suposta queda minha nas pesquisas, por causa de uma relação privada, o que dirá então? Esses votos todos voltarão para mim agora, uma vez que está se comprovando que há corrupção por parte da relação de amigos do Lula junto ao Vorcaro", declarou.

Flávio disse que sempre defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master e afirmou que o escândalo envolvendo Vorcaro "é do PT". O senador voltou a dizer que sua relação com o banqueiro tratou exclusivamente de investimentos privados. Ele também afirmou ver maior gravidade no caso de Jaques Wagner do que nas revelações sobre o filme.

O senador ainda citou suspeitas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho do presidente da República, no caso das fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). "O dinheiro do aposentado pode estar na conta do Lulinha, lá na Europa", declarou. A defesa de Lulinha nega envolvimento em ilegalidades, e ele não foi indiciado nem é formalmente investigado.

Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes ligadas ao Banco Master. A PF suspeita que o senador tenha recebido um imóvel e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

Na quinta-feira, 18, a assessoria de Jaques Wagner divulgou nota afirmando que o parlamentar "acompanha com tranquilidade" o andamento das investigações e "mantém a confiança na condução delas". Ele nega irregularidades e afirma que "não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados".

Prestação de contas sobre o filme

Na entrevista, Flávio Bolsonaro também afirmou que ainda aguarda a produtora Go Up Entertainment apresentar a prestação de contas sobre o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo revelações do site The Intercept Brasil, a realização contou com recursos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Em 15 de maio, Flávio havia dito a jornalistas que pediu à produtora a prestação de contas sobre o filme. Passado um mês, o senador não informou publicamente o resultado do procedimento. "Estou esperando a própria produtora apresentar a prestação de contas, já que ela que fez os gastos, as contratações para viabilizar o filme", declarou.

Flávio acrescentou: "Inclusive, já saiu agora recentemente, parece que, numa ação da Justiça, a produtora apresenta uma prestação de contas, que já tem gastos em maior quantidade do que o investido por parte de quem aplicou dinheiro no filme".

O senador também negou que o dono do Banco Master tenha investido diretamente no filme. "Não foi o Vorcaro que investiu dinheiro no filme, foi uma empresa que ele indicou", afirmou.

Na semana passada, o site Metrópoles publicou que a produtora de “Dark Horse” declarou gasto de R$ 75 milhões com o filme sobre Bolsonaro. Segundo a matéria, a informação consta de uma perícia privada contratada pela própria Go Up e anexada ao processo em que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) é investigado por suspeita de desviar dinheiro de um contrato com a Prefeitura de São Paulo.

O valor é menor do que a quantia de R$ 134 milhões negociada por Flávio, segundo o Intercept. O montante efetivamente pago ao filme por Vorcaro, por meio da empresa Entrepay, foi correspondente a R$ 61 milhões.