OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Imprensa internacional repercute ação da PF contra Jaques Wagner no caso Master

Veículos estrangeiros apontaram que a investigação passou a envolver aliados do presidente Lula e pode impactar o cenário eleitoral

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/06/2026 às 15:53
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) Jefferson Rudy/Agência Senado

A inclusão do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, entre os alvos da nona fase da Operação Compliance Zero teve repercussão na imprensa internacional. Veículos estrangeiros destacaram que as investigações do caso Master se aproximaram do entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As publicações avaliaram que o episódio amplia o alcance institucional do escândalo e reforça o potencial de influência sobre as eleições de outubro. Esta é a primeira etapa da operação que mira políticos aliados do presidente Lula.

A agência Reuters descreveu o escândalo do Master como uma “bola de neve” de corrupção que envolve um número crescente de atores políticos. A reportagem também ressaltou a relação de longa data entre Lula e Wagner, incluindo passagens por ministérios e o período em que o senador governou a Bahia.

A rede Al Jazeera, do Catar, afirmou que a fraude bancária alcançou “ambos os lados do espectro político brasileiro” e pode ter reflexos nas eleições.

A emissora também citou a divulgação, pelo Intercept Brasil, de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na corrida presidencial, pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Master, para financiar um filme sobre a trajetória política do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na Argentina, o jornal Clarín destacou que a presença de Jaques Wagner entre os investigados aproxima o escândalo do governo federal em um momento em que o presidente busca a reeleição. “Lula, que admitiu ter se encontrado com Vorcaro em 2024, prometeu que o caso seria investigado ‘até as últimas consequências’”, afirmou a publicação.

O jornal argentino relembrou que a crise começou após a liquidação do Banco Master e avançou para uma apuração sobre vínculos entre Daniel Vorcaro e diversas autoridades. A publicação também apontou efeitos do caso sobre a campanha de Flávio Bolsonaro, citando que o senador perdeu pontos nas pesquisas depois das revelações sobre o financiamento do filme.

A Bloomberg informou que aliados do presidente passaram a defender publicamente Jaques Wagner após a divulgação das informações sobre a operação. Entre eles, segundo a reportagem, estão o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

De acordo com a agência, esses aliados reconhecem maior dificuldade em associar o escândalo exclusivamente a adversários políticos depois que a investigação passou a envolver nomes ligados ao governo.

A Associated Press destacou que as apurações sobre o Master e as relações de Vorcaro têm “atingido diversos políticos brasileiros a poucos meses das eleições gerais de outubro”.

A nona fase da Operação Compliance Zero teve Jaques Wagner como principal alvo de busca e apreensão. A Polícia Federal suspeita que ele tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somariam R$ 3,5 milhões, por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

A assessoria do senador divulgou nota afirmando que ele não atuou a favor do Master e que está à disposição das autoridades. “O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas”, diz trecho do comunicado.