Lula não comenta ação da PF contra Jaques Wagner durante evento em Minas
Presidente participou de agenda em Belo Horizonte sobre investimentos do SUS em oncologia e falou sobre programas do governo, covid-19, mulheres e futebol
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não comentou, nesta sexta-feira, 19, a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), durante evento em Belo Horizonte. Na agenda, realizada para anunciar investimentos do Sistema Único de Saúde em oncologia em um hospital da capital mineira, Lula abordou programas de seu governo, a pandemia de covid-19, violência contra a mulher e temas ligados ao futebol, mas não tratou das denúncias envolvendo o aliado e amigo.
Como mostrou o Estadão, o Palácio do Planalto desaprovou a estratégia adotada pelo senador, que usou o presidente como escudo para se defender das acusações.
Em entrevista à BandNews, Jaques Wagner afirmou que Lula não vai retirá-lo da liderança do governo no Senado, em uma tentativa de demonstrar confiança total do amigo-presidente. Auxiliares de Lula, no entanto, avaliam que a situação do líder do governo no cargo é complicada e caminha para se tornar insustentável.
Jaques Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Andre Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os investigadores, ele teria recebido um apartamento de R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Em troca, o senador e líder do governo atuaria em favor da instituição no Congresso.
A assessoria de Jaques Wagner divulgou nota após a operação negando irregularidades. Também sustentou que o senador não atuou em favor do Master e que está à disposição das autoridades.
“500 anos de desmazelo não se consertam em 15 anos”
No discurso em Belo Horizonte, Lula afirmou que “500 anos de desmazelo não se consertam em 10 ou 15 anos” e que “ainda tem muito problema no Brasil”. A frase segue uma linha de comunicação adotada pelo governo em peças publicitárias nas últimas semanas.
“Sabemos que ainda tem muito problema no Brasil. Sabemos que 500 anos de desmazelo não se conserta em 10 ou 15 anos, mas queremos dizer que esse País nunca mais verá o povo pobre ser tratado como se fosse de terceira classe”, disse o presidente.
O discurso do governo busca reconhecer que pontos fracos apontados pela população não são ignorados, mas acompanhados. Também funciona como uma forma de a gestão federal afastar a responsabilidade por problemas sentidos pela população no dia a dia.
Elogios ao SUS
Lula também elogiou o Sistema Único de Saúde (SUS) e disse que a estrutura “estava preparada” para atender a população durante a pandemia da covid-19.
“O SUS, por muito tempo, foi atacado, desmoralizado. Só mostravam o SUS com gente no corredor e dormindo no chão. Como Deus é grande e escreve certo por linhas tortas, aconteceu uma desgraça neste País que foi a covid-19. Quando a covid chegou, quem estava preparado? O SUS, com seus funcionários, enfermeiros, médicos, motoristas, limpadoras”, afirmou.
Neymar, Marta e Seleção
Na parte final do evento, Lula brincou com uma criança sobre preferências no futebol. Ao falar sobre a importância do respeito dos homens pelas mulheres, elogiou a jogadora Marta, escolhida diversas vezes como a melhor do mundo.
O presidente perguntou ao menino quem seria o melhor jogador da seleção masculina atual. Ao ouvir a resposta com o nome de Neymar, Lula ironizou, citando também a convocação do atleta para a Seleção Brasileira: “Eu vi uma coisa ontem, que o Neymar é o primeiro convocado home office do mundo”, disse.