Entidade questiona viagem de Ciro e Hugo Motta atribuída a Vorcaro
Segundo a PF, dono do Banco Master teria bancado diárias em hotel de luxo e deslocamento em jatinho para Lisboa
A Transparência Internacional Brasil criticou, nesta quarta-feira, 17, informações da Polícia Federal segundo as quais o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, custeou viagem do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a Lisboa.
“Enquanto as meias de aposentadoria viam os seus fundos de pensão em risco, duas das principais lideranças do Congresso ficaram hospedadas, segundo a PF, em um dos hotéis mais luxuosos de Lisboa, com despesas atribuídas a Daniel Vorcaro”, afirmou a organização.
A entidade também questionou a relação entre o empresário e os parlamentares. “Quando um banqueiro passa a bancar o conforto de algumas das autoridades mais poderosas do país, quem exatamente está pagando a conta?”, declarou.
De acordo com a Polícia Federal, os pagamentos da viagem, realizados em junho de 2024, seriam referentes a cinco diárias de suítes em hotel, no valor de R$ 90 mil para cada. Ciro Nogueira e Hugo Motta também viajaramdo à capital portuguesa "de carona" no jatinho do dono do Banco Master.
As informações foram obtidas no celular de Vorcaro e encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da mesma operação que realizou busca e apreensão contra Ciro Nogueira no mês passado.
Conforme mostrado ao Estadão, Hugo Motta afirmou que foi chamado pelo senador para viajar no jatinho de Daniel Vorcaro. Os dois foram a Lisboa para participar de um fórum jurídico promovido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, conhecido como "Gilmarpalooza".
"Quando teve o evento de Gilmar em Lisboa, eu não ia. O Ciro (Nogueira) me chamou (e falou): Hugo, vamos para o evento? (Eu respondi): Ciro, não comprei passagem, tal, tal. E eu tenho que voltar, porque era época da festa junina lá, nossa. Ele disse: Não, pô, vamos com o Daniel de carona", disse.
"Chegou lá, Daniel tinha reservado o hotel. Também não vejo problema. É um evento corporativo. Não vejo crime nisso", afirmou o presidente da Câmara. Hugo Motta acrescentou que Vorcaro “não pediu nenhuma vantagem” na troca da viagem. "Não teve contrapartida de nada de projeto. Zero", declarou.
No caso de Ciro Nogueira, a PF calculou que o parlamentar recebeu ao menos R$ 468,7 mil em benefícios relacionados a viagens, hospedagens e refeições custeadas por Vorcaro. O valor não inclui gastos com voos privados, “realizados em ao menos três oportunidades em deslocamentos internacionais de entrada e saída do Brasil, bem como em dois benefícios em voos internos nos Estados Unidos”, segundo o relatório.
Entre os destinos citados estão Paris, Nova York e Courchevel, estação de esqui nos Alpes Franceses. Em troca, aponta a PF, Ciro teria apresentado projetos de lei para favorecer os interesses do dono do Banco Master.
Daniel Vorcaro está preso e negocia uma delação premiada. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram, nos últimos dias, a segunda proposta de colaboração apresentada por ele.