CONGRESSO NACIONAL

Alcolumbre defende presunção de inocência em caso envolvendo Jaques Wagner

Presidente do Congresso comentou operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado no caso Banco Master

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/06/2026 às 12:37
Davi Alcolumbre Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defendeu a presunção de inocência ao comentar a operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira, 18, contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no caso do Banco Master.

As declarações foram dadas depois que Alcolumbre cancelou a sessão conjunta do Congresso prevista para a manhã desta quinta, que analisaria vetos presidenciais. Na ocasião, ele alegou falta de acordo e de quórum.

Ao falar com jornalistas, Alcolumbre mencionou o discurso feito no plenário do Senado na terça-feira, 16, quando negou ter recebido valores do banqueiro Daniel Vorcaro e rejeitou uma reportagem da revista Veja que relatou o recebimento, pelo senador, de US$ 30 milhões.

Em seguida, o presidente do Senado declarou “solidariedade integral” a Jaques Wagner e elogiou a trajetória política do senador.

“Nós precisamos entender que ninguém neste País pode ser condenado antes do trânsito em julgado de um processo. E todos neste País podem ser investigados, todos podem ter, por parte do Judiciário, algum questionamento, e isso é normal no Estado democrático de direito. Mas todos também têm que ter a presunção de inocência”, afirmou Alcolumbre.

O senador prosseguiu: “Não comemoro nada contra a história de ninguém antes do trânsito em julgado de um processo neste País. Neste País, muitas autoridades já foram vítimas dessa execração pública. E no passar do tempo, a maioria delas provou que, no decorrer das investigações, a sua inocência”.

Alcolumbre também disse que há casos em que alvos de operações sequer conhecem o teor do processo e que advogados reclamam da falta de acesso aos autos.

“Só temos um problema: está todo mundo culpado, até que se prove o contrário. E isso é muito triste. Todo mundo é culpado e condenado antes de ser julgado”, declarou.

O presidente do Congresso acrescentou: “Eu respeito o papel de todas as instituições, da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, da Justiça brasileira, mas a gente precisa ter a compreensão de que esse mantra que todo mundo é culpado até que prove que é inocente está errado no Brasil”.

Jaques Wagner é alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, relacionada ao caso Banco Master. A investigação apura fraudes que envolvem, supostamente, o PT na Bahia e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O Estadão informou que pediu manifestação de Wagner, mas não recebeu resposta.